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xie_xu_e_zhang_chi_largeXie Xu é um chinês de 18 anos que mora na cidade Xuzhou.

Provavelmente você não o conhece. Ele não é rico, não é famoso, nem celebridade.

Mas, há três anos, Xie Xu faz algo impressionante e comovente.

Xie Xu tem um amigo chamado Zhang Chi, de 19 anos, que sofre de distrofia muscular. Para Zhang não abandonar os estudos, Xie Xu o carrega todos os dias até o colégio. Detalhe: nas costas. As imagens são impressionantes. Os dois são ainda os melhores alunos da classe.

Lendo a história comovente destes dois amigos, lembrei-me da minha mãe.

Ela me carregou, no ventre, por aproximadamente 9 meses. Depois me carregou no colo, mesmo quando eu era birrento e teimoso. Depois me carregou de outra forma: acompanhando como eu estava na escola, quem eram meus amigos, proporcionando aquela comidinha especial e me agasalhando no rigor do inverno do sul do país. Ela me carregou também com conselhos sobre a vida, com repreensões e incentivos, com a base da Palavra de Deus.

Mas ela ainda me carrega hoje... nas suas orações.

Os exemplos de Xie Xu e de minha mãe me fizeram lembrar da importância de ser carregado.

Falo isso porque, ao ser carregado por minha mãe, pude sentir de perto como é bom ser carregado por Deus. Aliás, é exatamente isso o que Deus tem feito com todos aqueles que confiam nele – repare no que diz o profeta Isaías sobre a ação e a presença de Deus junto com o seu povo: “O Senhor os livrou de todos os seus sofrimentos. Quem os salvou foi ele mesmo, e não um anjo ou qualquer outro mensageiro. Por causa do seu amor e da sua compaixão, ele os salvou. E todos os dias, ano após ano, ele os pegava e os carregava no colo” (Isaías 63.8-9).

Deus quer nos levar em seu colo. Que figura terna e amável!

Mas o mesmo texto de Isaías mostra aquilo que o povo de Israel e nós também muitas vezes fazemos: desprezamos o colo de Deus – “Mas eles se revoltaram contra Deus e ofenderam o seu santo Espírito” (Isaías 63.10). Na época de Isaías, ao desprezar o colo de Deus, o povo preferiu carregar ao invés de ser carregado. Está lá em Isaías 46.6-9: o povo preferiu fazer e carregar nas costas imagens de ouro e prata para adoração, imagens que, na hora que o povo mais precisava, não podiam ajudar.

Talvez você diga que esse não é o seu caso. Mas certamente você e eu carregamos outras coisas que nos tiram o sossego e fragilizam a fé: o peso das aflições e tristezas na família, nos relacionamentos, nas amizades e até consigo mesmo.

Volta e meia nos portamos como aquele sujeito que caminhava por uma estrada poeirenta carregando uma pesada mala. Um caminhão parou para lhe dar carona. Após alguns quilômetros, o motorista do caminhão, incomodado, perguntou ao carona porque ele continuava segundo a mala. A resposta foi: “O senhor já está me levando de carona. Seria demais pedir também que levasse a minha mala”.

Que tal ser levado no colo de Deus e com Ele deixar nossos fardos?

Assim, estaremos livres, descansados e animados para ajudarmos outros a carregarem seus fardos (Gálatas 6.2).

Mãe, obrigado por ter me carregado e por continuar me carregando!

Senhor, obrigado por me carregar, desde o meu batismo!

Leitor, meu desejo é que você desfrute do colo de Deus, todos os dias!

Por Júlio Jandt

ImpressãoSexta-feira é feriado. Dia do Trabalho. É uma data diferente das demais, entrou na lista dos feriados de forma não pacífica. Enfrentou anos e anos de contendas sociais. No início foi proclamada dia de luto e de luta.
Mas o dia 1° de Maio deve nos servir não apenas como feriado, mas como um dia de reflexão. Afinal, a Bíblia nos relata: “...Quem não quer trabalhar que não coma. Estamos afirmando isso porque ouvimos dizer que há entre vocês algumas pessoas que vivem como os preguiçosos: não fazem nada e se metem na vida dos outros. Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos com insistência a essas pessoas que vivam de um modo correto e trabalhem para se sustentar.” ( 2 Tessalonicenses 3.10-12).
Trabalhar para se sustentar – esse é o foco. Por meio do trabalho é que Deus quer que se consiga de forma justa o pão de cada dia.
Infelizmente, na atualidade o que se vê é justamente o contrário. Muitas pessoas procuram e usam maneiras fáceis de ganhar dinheiro: enganando outras pessoas, praticando roubos, jogando jogos de azar.
Nas ultimas semanas, em nossa cidade de Crissiumal, o que mais se ouviu foi: casas são furtadas. Não é isso o que Deus espera. Por isso o conselho bíblico: “Quem roubava que não roube mais, porém comece a trabalhar a fim de viver honestamente e poder ajudar os pobres.” (Efésios 4.28).
O que está acontecendo em nossa cidade e em nosso país? Por que aumentam os furtos? A resposta quem sabe é: muitos não querem mais trabalhar e ter tudo de maneira fácil e rápida. Por isso já escreveu David Bly: “Querer ser bem sucedido sem trabalhar duro é como colher sem plantar”.
Crissiumal – uma cidade de muitos trabalhadores. Nós que aqui residimos, precisamos mudar as manchetes dos noticiários. Crissiumal que é conhecida como a terra dos goleiros – precisamos todos DEFENDER a paz, DEFENDER a união, DEFENDER o amor, DEFENDER o trabalho.  E jogar para escanteio o furto, as desuniões, o ódio.
O trabalho dignifica o homem – seguidamente falamos e ouvimos essa frase.  Trabalhar nunca fez mal a ninguém. Não existe coisa pior do que ficar sem nada para fazer, sem ter alguma ocupação.  Por isso nos é dito em Provérbios: “Quem trabalha tem com o que viver, mas quem só conversa passará necessidade” (Provérbios 14.28).
O trabalho é uma dádiva de Deus para todos. Por isso diz o poeta sacro:
“Tranquilos, trabalhemos, comendo o nosso pão, e não nos sustemos com bens que alheios são. Aquele que furtava não deve mais furtar, e quem ocioso andava vá, quieto, trabalhar. De todo o bem a fonte é nosso bom Senhor. Louvai a Deus, louvai a Deus, por seu profundo amor!”. (MatthiasClaudius, 1782 – Hinário Luterano 481, estrofe 2).
Abençoada semana e feliz dia do trabalho!!!

Leandro Born

felicidade-trabalhoSe levadas a sério, as experiências do Sábio em Eclesiastes poderiam nos livrar de tantos dissabores no trabalho: “Todos nós devemos comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso trabalho. Isso é um presente de Deus (...) Compreendi que não há nada melhor do que a gente ter prazer no trabalho (...) Também descobri por que as pessoas se esforçam tanto para ter sucesso no seu trabalho: é porque elas querem ser mais do que os outros. Mas tudo é ilusão (...) É melhor ter pouco numa das mãos, com paz de espírito, do que estar sempre com as duas mãos cheias de trabalho, tentando pegar o vento (...) Como entramos neste mundo, assim também saímos, isto é, sem nada. Apesar de todo o nosso trabalho, não podemos levar nada desta vida (...)Cheguei a esta conclusão: a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a curta vida que Deus lhe deu é comer e beber e aproveitar bem o que ganhou com o seu trabalho”.

Isto foi dito há três mil anos e ainda tem validade. Mas como ter prazer no trabalho quando o patrão não reconhece que “o salário que o trabalhador recebe não é um presente, mas é o pagamento a que ele tem direito”? (Romanos 4.4). Como ter paz de espírito no meio de tanta desonestidade, falcatrua, corrupção? Como aproveitar bem o que se ganha trabalhando quando criminosos, bandidos, impostos injustos nos desfalcam?

Esse é um desafio constante desde que Adão e seus descendentes têm “de trabalhar no pesado e suar para que a terra produza algum alimento”. Maldição terrível se o Servo de Deus não arregaçasse as mangas – ele que disse: “O meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho” (João 5.17). Um serviço único e suficiente quando “o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna” (Romanos 6.23). Tanto que agora somos amigos de Deus e não empregados dele (João 15.15).  E assim, a sabedoria se torna possível: “Trabalhem com prazer, como se estivessem servindo a Deus e não às pessoas” (Efésios 6.7).

Marcos Schmidt

marcos.ielb@gmail.com

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 2 de maio de 2015

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“Vi também as almas das pessoas que tinham sido degoladas porque haviam anunciado a mensagem de Deus e a verdade que Jesus revelou” (Apocalipse 20.4). Sim. Homens vestidos com um macacão laranja. Aprisionados. Julgados e humilhados. Caminhando à beira mar. Ou melhor, forçados a caminhar. Forçados pelos seus carrascos armados, mascarados, decididos. Qual a culpa daqueles homens de laranja? Jesus. São cristãos em terra muçulmana extremista. Ou, como o próprio Islamismo radical os definem: os adoradores da cruz. Devem morrer. Pena de morte. São inimigos. Depois do discurso radical xingando o ocidente e os cristãos, os carrascos fazem os homens de laranja dar cor escarlate à beira mar. Sangue cristão. Sangue dos homens de laranja.

         Às vezes fico pensando que, neste cenário de horror, o sangue destes mártires tem muito a ensinar. Para mim. Para você. Para todos. Especialmente para aqueles que buscam apenas a prosperidade, a cura, o carro importado, a glória, o céu na terra. Buscam isto em igrejas de pastor cowboy que com seu suor já cura, ou em templos milionários que parecem ser mais judeus que cristãos. Que lição nos dão os homens de laranja! Lição também para os tantos que curtem uma máscara de hipocrisia e se escondem por trás de uma falsa espiritualidade e santidade.

         Homens de laranja. Cristãos. Fé em Jesus como Deus morto e ressuscitado. Poderiam negar sua fé. Poderia dizer não a Jesus. Poderiam escolher viver, mas escolheram a vida. Escolheram o caminho, a verdade e a vida. Morreram por ser de Jesus, genuinamente. Fé verdadeira. Fé exemplar. Não foram ao fio da espada por serem espirituais, bonzinhos ou revolucionários. Banharam com sangue a praia por serem de Jesus.

        Achei sensacional um vídeo publicado por cristãos como resposta à morte dos homens de laranja. Não foi ofensivo. Não foi carregado de raiva e ódio. Podem nos matar, diz o vídeo. Mas venham, venham com suas mãos ensanguentadas. Venham com seus olhos cheios de assassinatos do povo da cruz. Venham colocar suas armas e suas facas ao pé da cruz. Enquanto vocês morrem pelo seu deus, o nosso Deus morreu por nós.

      Então fica a dica: os homens de laranja têm muito a ensinar. Que Deus os use para tocar nos corações amortecidos em uma religiosidade de costume, embebedados em espiritualidade vazia e achando que o céu será deles por praticar o bem. Jesus. É dele que você precisa. É dele que eu preciso. Adoradores da cruz. Homens de laranja. Cristãos. Chame-os como quiser. Escolheram a vida. Estão vivos.

Pastor Bruno A. Krüger Serves - Congregação Ev. Lut. Cristo, Candelária-RS

Fica a Dica, Folha de Candelária - Rádio Cristo para Todos.

5157c7ce467a42bdb2d222697e13537a_1Alguns acontecimentos têm chamado a atenção nos últimos dias. Terremoto no Nepal e fuzilamento na Indonésia. Em comum entre eles, a morte.

Nos tremores de terra, na maioria das vezes, o pior aconteceu. Milhares de pessoas foram pegas desprevenidas, sem a menor chance de salvamento. Em outros casos, as pessoas sabiam dos grandes riscos que corriam em perder a vida e mesmo assim não se importaram. Foi a situação dos alpinistas no Monte Everest. E tudo indica que a escalada do Monte, apesar do conhecimento de todos os perigos e mortes, será liberada.

Na Indonésia aconteceu o fuzilamento de um surfista brasileiro por tráfico de drogas. Ele sabia da ilegalidade da ação e sabia que poderia ser preso. Na expectativa de ganhar dinheiro fácil e realizar o sonho de morar naquele país, apostou correr os riscos. Não imaginava, no entanto, que teria que pagar um preço tão alto pela sua atitude.

Certa vez, o Salvador Jesus disse: “O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida verdadeira? Pois não há nada que poderá pagar para ter de volta essa vida.” Mateus 16.26. A vida verdadeira é um presente de Deus. Ela está em todos aqueles que pela fé aceitam Jesus como Salvador dos seus pecados. A vida verdadeira começa aqui neste mundo e continua na eternidade.

Na expectativa de ter as melhores coisas deste mundo, muitas pessoas estão em risco de perder a vida com Deus. Os cristãos são orientados a terem o máximo de cuidado com a vida que receberam, já no batismo. Infelizmente, alguns destes, não se importam com os riscos e vivem como querem.

Não vale a pena correr riscos desnecessários. Isto vale tanto para os cristãos como para os não cristãos. 

Pastor Fernando E. Graffunder

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Por Elvio Nei Figur

Resumo: Em razão da relação entre comunicação e religião, as manifestações religiosas online tornaram-se interessantes objetos de estudo tanto para comunicadores como para cientistas da religião e teólogos. O mundo online, ou ciberespaço, é um território onde a humanidade interage por meio de relações semelhantes ou iguais às que existem no mundo off-line. Por isso, ele tornou-se extensão das ruas e praças por onde circulam e interagem pessoas reais com seus sentimentos, dramas, angustias, alegrias e também suas crenças. O desafio para o fiel é viver a fé cristã genuína dentro e fora desse território, e a missão da igreja - enquanto instituição - é acompanhar o homem por esse percurso irreversível. O presente artigo aborda essa relação tendo como objetos de estudo a Igreja Evangélica Luterana do Brasil, seu portal oficial e os sites dos departamentos de leigos, servas e jovens.

Palavras Chave: Ciberespaço, Religião, Internet, IELB

1. Introdução

As novas tecnologias, entre elas as baseadas na rede mundial de computadores, a internet, não são experiências humanas avulsas, pelo contrário, são frutos da necessidade do homem em exprimir ideias, se comunicar e se relacionar com o outro. Elas deixaram o posto de simples instrumentos completamente externos ao nosso corpo e mente, e tornaram-se um ambiente de vivência.

O mundo on-line, ou ciberespaço, é, assim, um território onde a humanidade interage por meio de relações semelhantes ou iguais às que existem no mundo off-line. Por isso, ele se tornou extensão das ruas e praças por onde circulam e interagem pessoas reais com seus sentimentos, dramas, angustias, alegrias e também suas crenças. Entrincheirar-se, recusar-se ou formar juízos negativos, impediria o indivíduo de administrar esse fenômeno irreversível, rico em potencialidades para a vida real, educacional e também para a vida religiosa.

O presente artigo, num primeiro momento, busca compreender o pensamento de alguns autores que consideram o ciberespaço como lugar de vivencia e interação social, ou extensão da realidade. Num segundo momento, expõe a proposta de classificação das diferentes manifestações religiosas on-line em Manifestação Religiosa Informativa; Manifestação Religiosa Espacial, e; Manifestação Religiosa Metafísica. Em seguida, tendo a internet como tecnologia midiática, comunicativa e interativa, busca categorizar os diferentes sites ielbianos que representam as principais atuações da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) off-line.

2. O ciberespaço

imageOs espaços públicos se modificaram ao longo dos anos na maioria das cidades e parte de suas histórias se reflete nesses ambientes de interação e convivência que, com o passar do tempo, mudaram de endereço e características. Exemplo disto é a Praça Doutor João Penido na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais que recebeu o apelido de Praça da Estação em virtude da estação central de trem de passageiros e cargas. Foi, talvez, um dos primeiros espaços de maior interação que a cidade conheceu. Nela os mundos se encontravam. A praça já foi o centro da vida urbana. Pessoas iam e vinham. Destinos ali se cruzavam. Dalí as notícias se espalhavam pela cidade pegando carona nas linhas do bonde que também ali passava. A Praça da Estação não foi simplesmente um lugar de rápida passagem, mas, o centro das conexões, o coração da cidade, um ambiente de vivencia, mais do que um simples abrigo de um meio de transporte. Hoje a praça ainda guarda resquícios dessa época, mas não é mais o centro da vida urbana. Este se estendeu pelos arredores da Rua Halfeld, hoje centro comercial da cidade. image

imageAos poucos, porém, ao andar pelas ruas e praças, percebemos que esses espaços de interação e troca de informações já não tem o mesmo lugar simbólico que tinham há pouco tempo. Não raro, ao andar pela calçada, é preciso parar bruscamente ou desviar de indivíduos que andam com os olhos e ouvidos vidrados aos seus dispositivos eletrônicos, distantes, aparentemente, da vida real. Enfim, o ambiente de vivência está se transferindo, cada vez mais, para os dispositivos eletrônicos, que servem como canais de comunicação e interação, ainda que os indivíduos, por vezes, estejam a poucos metros uns dos outros. O espaço simbólico de interação, de convivência, e de troca de informações, há muito não é mais exclusividade da Praça da Estação ou da Rua Halfeld. Os programas de busca, aplicativos, redes sociais acessíveis nos smartphones e outras tecnologias digitais, são hoje parte desse espaço simbólico e já são extensões do mundo e da vida de milhões de pessoas.

A rede passou a ser mais do que um instrumento de comunicação disponível para uso ou não. Ela tornou-se um verdadeiro ambiente cultural capaz de determinar estilos de pensamento criando “novos territórios e novas formas de educação, contribuindo para definir também um modo novo de estimular as inteligências e de construir o conhecimento e as relações” (SPADARO, 2013, p.7). Para Delabre (2009), o ciberespaço é sociedade, pois, nesse(s) território(s) criado(s) pelas redes informáticas, são produzidas relações humanas ao estilo das que existem no mundo off-line, ou não virtual. Mas, além disso, surgem novas formas de relação entre as pessoas que criam novos estilos de sociedade e de convivência.

Ciberespaço e cibercultura são os termos usados para designar esse novo universo;

Ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ele abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço (LÉVY, 1999, p.17).

Assim, na própria definição dos termos se percebe a noção de que “É impossível separar o humano de seu ambiente material, assim como dos signos e das imagens por meio dos quais ele atribui sentido à vida e ao mundo”. (LÉVY, 1999, p. 22). Enfim, as tecnologias impactam a sociedade e a cultura ao mesmo tempo em que são produtos destas.

Considerando que “há muitas emoções circulando nesses espaços de comunicação” (LÉVY, apud: KNEBEL, 2011, p.1), a rede não é mais “um contexto anônimo e asséptico, mas um ambiente antropologicamente qualificado” (POMPILI, apud: SPADARO, 2012, p. 17). O desafio é, portanto, ver na rede não uma realidade paralela ou separada do dia-a-dia, mas uma realidade antropológica interconectada com outros espaços da vida humana, pois as tecnologias digitais baseadas na rede não são mais simples instrumentos completamente externos ao nosso corpo e mente, mas tornaram-se “um ambiente no qual nós vivemos” (SPADARO, 2012, p. 17). O ciberespaço não é mais um lugar específico em que a pessoa entra e depois sai, mas a vida entra na rede e a rede, na vida em diversos sentidos. As mídias digitais não são portas para sair da realidade - embora o perigo exista -, mas alongamentos capazes de enriquecer a vida e as relações, pois, segundo Spadaro (2012), as duas dimensões, física e virtual, são chamadas a se harmonizar e se integrar numa vida de relações plenas e sinceras.

imageAssim, o ciberespaço tem a capacidade de fazer das novas tecnologias interconectadas, mais que simples instrumentos externos para simplificação das comunicações e relações humanas. Ele torna-se extensão das ruas e praças por onde circulam pessoas. Ou seja, os espaços digitais são, hoje, “um terreno onde está funcionando a humanidade” (LÉVY, 1994, p.1). E nesse terreno interagem pessoas reais com sentimentos, dramas, angustias, alegrias e crenças.

3. Manifestações religiosas na internet - Categorizações

Uma concepção teórica da internet com fins acadêmicos pode assumir uma das seguintes abordagens: Internet como cultura; como artefato cultural ou; como tecnologia midiática (FRAGOSO, RECUERO, AMARAL, 2011). Como cultura, a internet é vista, pelo pesquisador, de forma distinta em sua temporalidade e mundo concreto. Essa perspectiva vê o ciberespaço como um mundo à parte da realidade social. Como uma dimensão virtual, em contraposição à realidade cotidiana. Já numa perspectiva da internet como artefato cultural, o pesquisador mira a rede a partir da inserção desta na vida cotidiana das pessoas e dos grupos favorecendo uma visão do ciberespaço como parte das redes sociais e culturais mais amplas. Nessa perspectiva, as fronteiras entre off-line e on-line são fluídas e se interinfluenciam. A visão da internet como tecnologia midiática, por sua vez, observa a rede como matriz de práticas sociais, englobando, assim, as duas abordagens anteriores.

O presente artigo se propõe a rastrear os diferentes atores sociais, suas diferentes práticas em diferentes contextos e conexões, adotando a perspectiva da internet como tecnologia midiática. Isso porque, de acordo com Silva (2005), dos diferentes atores sociais e diferentes grupos religiosos que migram para o ciberespaço, ou que se formam das próprias interações possibilitadas pelo ambiente on-line, resultam diferentes tipos ou formas de manifestações religiosas. E essas diferentes manifestações podem ser classificadas, em três tipos; Manifestação Religiosa Informativa; Manifestação Religiosa Espacial, e; Manifestação Religiosa Metafísica.

3.1. Manifestação Religiosa Informativa

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A Manifestação Religiosa Informativa caracteriza-se pelo uso da internet como Ferramenta. Nessa classificação pode-se incluir o que Helland (2002) chama de Religion-online, ou seja, o uso da rede para comunicação um-todos onde a relação do usuário com a informação é controlada por aquele que a disponibiliza. Karaflogka, por sua vez, chama esse tipo de manifestação de Religion on Cyberspace referindo-se à “informação disponibilizada por qualquer religião, Igreja, indivíduo ou organização que também existe e pode ser conseguida fora da Internet” (2002, p.284-285).

Neste tipo de manifestação religiosa on-line, a informação pode se apresentar, tanto em formato textual, no caso de um documento em formato pdf ou texto simples, como em formato hipertextual, quando a informação está dividida em links, ou ainda em formato de áudio ou vídeo. “Mas sempre considerando o esquema de comunicação one way, sem abertura para resposta do usuário – ainda que esse tenha a liberdade de escolher entre uma gama de informações possíveis” (SILVA, 2005, p. 11).

Essencialmente, portanto, a Manifestação Religiosa Informativa refere-se ao deslocamento de informações religiosas pré-existentes para a rede oferecendo uma interatividade, em geral, limitada à escolha das informações desejadas por meio de links e hipertextos, como na Web 1.0, estática e mais informativa do que interativa.

3.2. Manifestação Religiosa Espacial

imageNa Manifestação Religiosa Espacial, a característica principal é o uso da internet como Lugar. Ela inclui, tanto discussões religiosas, metafísicas e espirituais que envolvam a interação entre usuários, quanto rituais e práticas religiosas em geral executadas ou vivenciadas no ciberespaço (SILVA, 2005). Esse tipo de manifestação envolve presença, pertencimento e/ou participação ativa que vai além da interatividade por escolha de informações. Essa manifestação abre a possibilidade do uso da internet para a criação de comunidades virtuais abertas para a partilha e manutenção dos laços comunitários como os existentes off-line.

Nessa classificação pode-se incluir ainda o que Helland (2002) chama de Online-religion relativa às manifestações comunicacionais todos-todos e ligada à visão da internet como lugar ou ambiente de interação. Nessa classificação, a interatividade é fundamental, pois as contribuições, opiniões e expressões de crenças pessoais por parte dos usuários é muito importante.

A Manifestação Religiosa Espacial é possibilitada pela Web 2.0 por meio de blogs, vídeos, redes sociais, transmissões ao vivo, orações ou debates em grupos, etc. Mas uma Manifestação Religiosa Espacial só é evidente quando estes recursos são efetivamente usados. A simples presença deles não significa que a manifestação religiosa possa ser classificada como tal.

3.3. Manifestação Religiosa Metafísica

imageA terceira e última forma de manifestação religiosa, conforme classificação proposta por Silva (2005), é a Manifestação Religiosa Metafísica – Modo de Ser. São as formas de alcançar a transcendência on-line propostas pelas tecno-religiosidades. Ou seja, os grupos religiosos que veem na tecnologia a solução dos problemas do mundo e/ou veem no ciberespaço um lugar sagrado de salvação pessoal. Nele a internet se torna um meio intensificador da experiência transcendente, de libertação corporal e temporal, que pretende oferecer uma alternativa à realidade física. Nesse tipo de manifestação a mídia é vista como produtora de uma religiosidade, ou uma religião em si.

Karaflogka (2002) chama essa manifestação de religion in cyberspace ou ciber-religião. Para ele, essa forma de religiosidade mostra uma expressão religiosa, metafísica ou espiritual, criada e existente somente no ciberespaço, gozando de um certo grau de realidade virtual.

Trata-se da mídia não como ídolo de uma religiosidade, mas como meio para a sua existência, seja como nova produtora de sentimentos como comunidade, ritual e sacralidade, antes de alçada estritamente religiosa, como também como aquilo que é necessário para a obtenção de uma tão desejada transcendência, que não parece mais ser oferecida pela tradição religiosa de forma satisfatória, isto é, da relação homem-tecnologia como a obtenção imediata da ‘imortalidade’, do ‘conhecimento’, da ‘transcendência’ (SILVA, 2005, p. 16).

Essa Manifestação Religiosa Metafísica, ou ciber-religião, conforme aponta Aguiar (2014), é aquele ‘malsucedido’, que, em geral, desaparece depois de alguns meses, refletindo a transitoriedade própria das redes. São, portanto, fenômenos raros como o caso da seita digital Heaven’s Gate que teve como fim trágico o suicídio em massa pela continuação ritualística de um jogo de computador.

4. Ielbianos on-line

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Sbardelotto (2011), nos lembra que, em uma sociedade em processo de midiatização, o religioso já não pode ser explicado ou entendido sem levar em consideração o papel das mídias. Segundo ele, o fiel também pratica sua fé no âmbito digital on-line, pois há ofertas de serviços que possibilitam uma modalidade interacional de experiência religiosa por meio da internet, o que faz com que o indivíduo, muitas vezes, prefira praticar a sua fé na internet, ao invés de fazer isso na igreja do bairro.

Diante dessa realidade, o desafio para os grupos religiosos não é o de aprender de que forma usá-la bem, mas o de viver a rede como um dos ambientes de vida e fé, pois ela “não é um novo ‘meio’ de evangelização, mas antes de tudo um contexto no qual a fé é chamada a se exprimir não por uma mera vontade de presença, mas por uma conaturalidade do cristianismo com a vida dos homens” (SPADARO, 2012, p. 25). À instituição religiosa cabe a tarefa de acompanhar o fiel nesse caminho. E para que as instituições religiosas acompanhem sua membresia oferecendo a eles possibilidades de expressão, comunhão, interação e testemunho de fé dentro e fora do ciberespaço, é necessária uma atuação que se aproxime mais de uma manifestação ou presença Espacial, e não simplesmente Informativa.

imageSurgem então algumas questões; Estariam os ielbianos vivendo e exprimindo com naturalidade seu cristianismo nesse novo contexto? Como a IELB está acompanhando sua membresia por estes novos caminhos da sociedade da midiatização? Em que proporções as considerações levantadas acima estão sendo vividas e/ou aplicadas no contexto ielbiano?

Em busca de respostas foram estudados, por meio de um estudo etnográfico virtual, da navegação através de clicks e da observação cuidadosa de cada página, os sites; www.lllb.org.br, www.lslb.org.br, www.jelb.org.br e www.ielb.org.br. Estes foram escolhidos por representarem, de forma geral, as principais atuações da igreja off-line; Liga de Leigos luteranos do Brasil (LLLB), Liga de Servas Luteranas do Brasil (LSLB), a Juventude Evangélica Luterana do Brasil (JELB) e o Portal Oficial da IELB respectivamente. Todos os sites foram acessados e analisados na data de 27 de outubro de 2014.

Foram realizadas ainda duas pesquisas. A primeira, entre os dias 15 de julho e 15 de agosto de 2014, e a segunda, de 10 de outubro a 10 de novembro de 2014. Esta ultima foi necessária em virtude do lançamento do novo portal da IELB em 19 de agosto de 2014, portanto, posterior ao período da primeira pesquisa. Em ambas, os internautas responderam questões de múltipla escolha relacionadas aos sites pesquisados. Os resultados serão apresentados ao longo do relatório do estudo que segue.

4.1. Liga de Leigos Luteranos do Brasil

imageO site www.lllb.org.br é o site da LLLB, grupo de homens organizados em congregações da igreja e a nível nacional. O site funciona basicamente como um blog com mensagens e informações dispostas pela data da postagem. Em geral, são postagens comunicativas, com imagens, texto e vídeos. No topo há o menu com opções diversas como Quem Somos, Histórico, Metas, Diretoria, Tesouraria e Estatuto. Todos com informações estáticas, textuais ou hipertextuais. Em Está Acontecendo são selecionadas as informações sobre programações recentes. Clicando em Mensagens, o usuário é direcionado a postagens com reflexões diversas. Em Material de Apoio encontram-se estudos bíblicos em texto além de vídeos. Há ainda uma lista de links, informações de contato, e o mapa do site.

Observa-se que, apesar de ser estruturado em formato análogo a um blog, o mesmo possui pouca interação sendo que esta se dá basicamente através da escolha dos caminhos para navegação através de hipertexto. Sendo assim, pode ser categorizado como Manifestação Religiosa Informativa, ou seja, seu uso se dá basicamente como Ferramenta de divulgação.

Na pesquisa por amostragem, 54,71% dos leigos que responderam conheciam o site, mas 52,77% desses disseram que o acessam apenas de vez em quando, e 41,66% quase nunca enquanto que apenas 5,55% o acessam semanalmente ou diariamente.

Perguntados sobre sua utilidade, 65,85% o considera útil, enquanto 34,14% acha que poderia ser melhor. A maioria dos que responderam ao questionário apontaram o que um internauta resumiu na seguinte frase; “Precisa de um "UP GRADE" com urgência”. Essa necessidade, segundo alguns, é pela falta de atualização; “A última coisa que "está acontecendo" foi em maio...”. Outros opinaram sobre a questão do conteúdo; “Falta atualização mais frequente, ao que percebe-se, quase sempre só é usado para o congresso da LLLB. Poderia ter mais informações das ligas distritais, regionais ou congregacionais”. Ou sobre divulgação; “acho que o site deveria ser mais moderno, melhor divulgado”.

A questão da falta de interatividade também foi destacada; “Poderia ser mais dinâmico como o dos jovens ou mesmo o da própria IELB”; “Facilitar o acesso à opiniões e comentários dos leigos sobre determinados assuntos. Abrir espaços para leigos tirarem dúvidas com perguntas à especialistas na área”; “o site poderia ser utilizado como uma ferramenta de educação cristã, com a disponibilização de cursos, onde o internauta pudesse interagir”.

4.2. Liga de Servas Luteranas do Brasil

imageO site da LSLB é o www.lslb.org.br. O usuário tem uma grata surpresa ao acessá-lo, pois é recebido por uma janela pop-up contendo belas imagens e versículos bíblicos de estímulo e ânimo. Ao fechar a janela pop-up o usuário se depara com um layout atraente e, ao mesmo tempo, simples. Há um slide show com belas imagens e versículos bíblicos. Na página inicial aparecem os Destaques da LSLB onde o usuário pode escolher as informações que deseja acessar. Há ainda a opção de cadastro de e-mail para recebimento das novidades da liga.

No menu encontramos as principais opções do site. Em A LSLB encontram-se informações das ‘regiões da LSLB’, o lema da Liga, voto de dedicação, hino e compromisso. Em Diretoria há informações em nível nacional e regional. No link Revista o internauta obtém informações sobre assinaturas e acessa edições on-line da revista Servas do Senhor. Na opção ASAS há informações de programações e atividades promovidas pelas Servas Amigas do Seminário. Já em Notícias podem-se acessar as ultimas informações envolvendo a liga, notas de falecimento, recursos diversos, reflexões, e postagens diversas classificadas por data de postagem. Ainda no menu há a opção Galeria contendo fotos de eventos e a opção Contato.

Apesar de a primeira impressão ter sido muito boa, também nesse site encontramos basicamente páginas estáticas e informativas, o que não é necessariamente ruim, mas revela o uso do site como ferramenta sem muita interatividade, a não ser aquela da simples escolha dos caminhos a seguir. Assim, esse site também se encaixa na categoria de Manifestação Religiosa Informativa. Ou então, no que Helland (2002) chama de Religion-online, que é caracterizada pela comunicação um-todos onde a relação do usuário com a informação é controlada por aquele que a disponibiliza.

Na pesquisa por amostragem, 53,7% das servas que responderam afirmaram conhecer o site, mas 50% dessas o acessam apenas de vez em quando, e 36,11% quase nunca, enquanto que, apenas 13,88%, o acessam semanalmente ou diariamente.

Perguntadas sobre a utilidade, 72,5% das servas o considera útil, enquanto 27,5% acha que poderia ser melhor. Nesse quesito, algumas internautas destacaram a necessidade de atualizações mais constantes. Outras criticaram a pouca divulgação; “Nunca acessei este site”; “Não conheço”; “não sabia que existia. por isso deve ser mais divulgado”. Por outro lado, foram muitos os elogios; “As Servas estão muito atentas em deixar o site melhor e atrativo”; “Gosto dos temas expostos, o que aprimora nossos estudos e trabalhos das Servas”; “Sempre que acesso busco informações e geralmente fico satisfeita com o resultado que obtenho”; “Parece ter a informação importante facilmente "encontrável".

4.3. Juventude Evangélica Luterana do Brasil

imageA JELB também está presente na internet. O site www.jelb.org.br, apresenta um visual agradável e de fácil manuseio. Logo no topo, destacam-se, a opção de Pesquisa, e a interação com redes sociais on-line. Entre estas se destacam, o link para a FanPage no Facebook, o link para o Flikr com belas imagens do congresso nacional da JELB de 2013, além do link para o canal no YouTube, com vídeos de congressos, clipes e convites em vídeo para as próximas programações nacionais. Logo abaixo da linha do menu encontra-se uma porção de janelas com imagens e links para os principais destaques do site.

O menu do site compõe-se dos seguintes itens; Sobre – Opção geral que dá acesso a diversos outros links contendo as opções; O que Cremos - com texto de confissão de fé e vídeo falando da fé confessada pelo grupo; História - com texto recontando a história da JELB e vídeo sobre DVD que reconta a história; Símbolo - contendo hipertexto explicativo e vídeo; Conselho Geral - onde estão as informações da diretoria nacional e contatos; CG Atual - com fotos e depoimentos dos integrantes do Conselho Geral; e Linha do tempo - onde podem ser encontrados os nomes de ex integrantes do Conselho Geral da JELB desde sua fundação. Em JELB pelo Brasil há um mapa interativo onde o visitante pode encontrar informações sobre as uniões juvenis de todo o Brasil escolhendo por estados. Além disso, há informações sobre o que é uma UJ (União Juvenil) e endereço eletrônico para contato. Já na opção Projetos encontram-se informações valiosas para as uniões juvenis sobre como organizar alguns dos projetos sociais propostos pela JELB, sempre com explicações textuais e/ou arquivos para baixar. Em Congressão, tem-se acesso a outra página, estilizada conforme as cores e o lema do próximo congresso nacional. Todas as informações, incluindo local, inscrições on-line, programação, caravanas e contato, além de vídeo informativo e motivacional. Na opção Papo Sério, são encontradas reflexões curtas e provocativas. Há ainda dois espaços para envio de perguntas para o pastor e pedidos de oração. Na opção Blog é possível interagir enviando comentários, mas, pesar da disponibilidade, o recurso ainda é pouco usado pelos internautas. Em Ofertas encontra-se vídeo e formas de ofertar para a JELB, e em Contato o usuário também pode enviar sua mensagem. Em uma linha ao pé da página há a opção de cadastro de e-mail para recebimento de novidades além de links para outros sites ligados à IELB.

Percebe-se claramente que a hipertextualidade ganha mais força aqui no site www.jelb.org.br com maior quantidade de opções, especialmente de vídeos explicativos. Em sua essência, o site também é informativo, mas tem um bom potencial de Manifestação Religiosa Espacial através das opções de envio de perguntas e pedidos de oração, por exemplo. O site ainda tenta envolver presença, pertencimento e participação ativa que vá além da interatividade apenas por escolha de informações. Porém, não há opções que julgaríamos de grande importância, tais como; grupos de discussão ou perguntas e respostas que fiquem a vista dos internautas e possam ser debatidas, etc.

Na pesquisa por amostragem, 80,43% dos jovens que responderam conheciam o site, mas a maioria, 72.22% o acessam apenas de vez em quando, e 16,66% quase nunca, enquanto 11,11% dos que responderam o acessam semanalmente e 0% diariamente.

Perguntados sobre a utilidade do site, 81,08% o considera útil, enquanto 18,91% acha que poderia ser melhor. Nesse ponto, alguns internautas destacaram a necessidade de maior divulgação; “Muito conteúdo de qualidade, mas ainda pouco aproveitado. Está sendo divulgado. Penso que agora é conosco, os 'internautas'”.

Entre as críticas estão também as relacionadas à simplicidade do layout; “Acho que o site está com um layout muito simples...”. As relacionadas ao conteúdo; “O site é bem feito, mas também acho que poderia ter mais ajuda aos líderes jovens, e quem sabe, uma maior disponibilidade de hinos da juventude...”; “Poderia-se colocar mais fotos de nossas congregações e mais ideias para as nossas igrejas, coisas que unam os jovens”. A principal crítica dos jovens, no entanto, está relacionada à baixa interatividade; “O site da JELB melhorou bastante na última mudança! Mas tenho saudades do fórum que existia em 2006”; “Falta espaço interativo, tipo fórum ou espaço para perfis ou posts”.

Por outro lado, há também muitos elogios, como; “Trata-se de um site dinâmico e funcional, cuja razão maior é a divulgação das ações da JELB, inclusive possui a possibilidade de treinamentos (EAD) à distância” (Em implantação); “Acho muuuuito bom”; “Sabe, vivemos tempos de uma enxurrada de comunicação virtual que só acesso o que realmente necessário, quando necessário [...] Se os jovens estão acessando e tirando proveito [...] bem está”; “É bem planejado e percebe-se que as atualizações são constantes. Procura interagir com os internautas, o que é também um ponto favorável”.

image4.4. Portal Oficial da IELB

O portal oficial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, www.ielb.org.br, como o temos hoje, foi oficialmente lançado no dia 19 de agosto de 2014 após diversos ataques de hackers ao antigo site no final de 2013 e inicio de 2014. Abaixo da mensagem de boas vindas há um slide show contendo anúncios dos principais periódicos da igreja além do lema oficial para o ano e menção a campanhas apoiadas pela igreja. Em destaque estão as últimas notícias e recursos como o programa televisivo Cristo Para Todos (CPT) e vídeo, auxílios exegéticos para pastores, entre outros. Na lateral direita do internauta, há um menu com imagens e links para as organizações auxiliares da igreja. Um link para o guia de congregações e pastores e um link para localização em mapa, ainda com localizações imprecisas e confusas, mas com grande potencial.

Abaixo do link para o guia há uma enquete que pergunta “O que você achou do novo portal da IELB?”. Em 27 de outubro de 2014, data dessa análise, os resultados dessa pesquisa apontavam como respostas; Ótimo, 59,15%; Bom, 23,42%; Regular, 4,44%; Pode Melhorar, 12,99% dos votos. A pesquisa realizada entre 15 de julho a 15 de agosto, portanto antes do lançamento do novo portal, apontava o seguinte; 63% o consideravam ótimo ou bom, e 36% acreditavam que poderia melhorar. Percebe-se aí que o percentual entre os que consideram o site Ótimo ou Bom subiu de 63% para mais de 83% e que o numero dos que acreditavam que o consideram Regular ou que Pode Melhorar caiu de 36% para um pouco mais de 17%.

Há ainda, no portal, o Espaço das Crianças onde podem ser baixados os encartes do chamado Mensageiro das Crianças relativos ao ano de 2012, para impressão. Sobre isso, um dos internautas pesquisados sugeriu; “Poderia conter - um aplicativo educacional para as crianças - como jogos educativos on-line e etc”. Oferecidos no novo portal, e de grande relevância, são os Posicionamentos Oficiais, documentos elaborados pela igreja, que tratam de assuntos polêmicos que exigem um posicionamento oficial. Abaixo dos textos há a possibilidade de inserção de comentários com a opção de compartilhamento via Facebook. Essa ferramenta, porém, ainda não despertou nos internautas.

Ainda na lateral direita do internauta, estão informações relativas ao Tempo da Igreja. Há também uma imagem com link para a FanPage oficial da celebração dos 500 anos da Reforma Luterana. Também é possível a assinatura da Newsletter bem como o acompanhamento através da redes sociais como Facebook e YouTube. Destaque para a FanPage no Facebook que se tornou um espaço de divulgação e interação usado com bastante intensidade e obtendo relativo sucesso. O canal no YouTube também tem sido bastante usado.

Apesar das melhorias oferecidas, como a criação de uma Web Rádio acessível pelo portal, seria possível um serviço ainda mais completo. É o que pensa, por exemplo, esse internauta que escreve sobre o novo portal; “Está muito melhor!! Mas creio que ainda falta a presença de maior diversidade de estudos bíblicos, sermões e louvores de nossa igreja em vídeos, mp3 de bandas e corais luteranos [....] Presença de dados mais atuais sobre as congregações e seus pontos de missão. Presença de uma Web-tv [...] redirecionando as congregações com as transmissões de cultos ao vivo por todo Brasil!! Mas como dito, tem melhorado bastante!!”.

O novo portal mostra um avanço considerável em relação ao anterior. Essencialmente, no entanto, o novo portal tem ainda basicamente a função comunicativa ou informativa, apesar de também ter demonstrado um bom potencial como Manifestação Religiosa Espacial. O portal tenta envolver ‘presença’, ‘pertencimento’ e ‘participação ativa’. Porém, encontra-se em falta opções como; grupos de discussão ou perguntas e respostas que fiquem a vista dos internautas, além de outras possibilidades de manifestações comunicacionais todos-todos.

5. Considerações Finais

Na ocasião do lançamento do novo portal oficial da IELB em 19 de agosto de 2014, o presidente nacional da igreja, Rev. Egon Kopereck, afirmou;

De fato, hoje, eu diria, é mais um marco dentro do trabalho de nossa querida igreja. É mais um avanço onde nós estamos entrando cada vez mais neste mundo virtual onde navegamos tão pouco ainda, e onde exploramos tão pouco, diante daquilo que ele nos oferece. Essa Ferramenta importante para o trabalho da igreja. Anunciando e proclamando o evangelho [...] É algo que nós estávamos sonhando há vários meses [...] E podermos assim interagir mais e melhor com a nossa querida igreja e com o mundo virtual [...] Onde nós colocamos à disposição tudo aquilo que a igreja tem; tudo aquilo que a igreja oferece; os trabalhos das organizações auxiliares [...] E nós podemos ali também, através do link, entrar e conhecer esse trabalho. Interagir com esse trabalho. Questionar, Perguntar, enfim, aproveitar aquilo que ele nos oferece [...] Somos gratos a Deus por avançar [...] tentando sempre mais e melhor comunicar a vida e levar Cristo para todos (IELB-TV, 2014).

A expressão “mundo virtual”, que aparece duas vezes nesse breve discurso, revela uma concepção da internet onde ela é vista de forma distinta em sua temporalidade e mundo concreto, como uma realidade à parte, apenas virtual, em contraposição ao mundo real. O discurso revela claramente o que se observa, em geral, nos sites analisados. Ou seja, a presença ielbiana no ciberespaço se dá basicamente através de uma Manifestação Religiosa Informativa que reproduz, basicamente, informações pré-existentes - off-line - deslocando-as para o ciberespaço - on-line. As frases “Essa Ferramenta importante para o trabalho da igreja”; e “Onde nós colocamos à disposição tudo aquilo que a igreja tem; tudo aquilo que a igreja oferece; os trabalhos das organizações auxiliares...” revelam claramente essa visão da internet mais como Ferramenta do que como Espaço.

Há, por outro lado, o reconhecimento de que, de fato, os ielbianos, especialmente a instituição IELB, está explorando muito pouco diante daquilo que o ciberespaço pode oferecer. Há o intenso desejo, expresso pelos internautas e repetidos pelo pastor presidente, de; “Interagir com esse trabalho. Questionar, Perguntar, enfim, aproveitar aquilo que ele nos oferece...”. E a igreja tem se esforçado nessa direção.

Um monitoramento do uso da internet por grupos religiosos brasileiros realizado ao longo de dez anos aponta que “há uma utilização desajeitada e pouco eficiente dos recursos possibilitados pela internet por parte dos grupos religiosos institucionalizados e tradicionais” (JUNGBLUT, 2010, p. 208). Essa constatação é verdadeira, em parte, também no caso da IELB. A internet como Ferramenta está sendo usada relativamente bem, mas a internet como Lugar ou como Espaço requer mais investimento e empenho.

imageAssim, o desafio a ser enfrentado pelos ielbianos não é o de aprender a usar a rede como uma ferramenta para transmitir citações do evangelho on-line, pois isso um computador pode fazer sozinho. O verdadeiro desafio é viver, refletir e testemunhar a fé nesses espaços como um território habitado por pessoas reais, com suas aspirações, sentimentos, dúvidas e crenças. O verdadeiro desafio é viver a fé cristã genuína dentro e fora desse espaço. E a igreja, que recebeu a missão de apascentar as ovelhas, tem a desafiadora tarefa de acompanhá-las também por este “terreno onde está funcionando a humanidade” (LÉVY, 1994, p.1), pois o ciberespaço é, cada dia mais, extensão da Praça da Estação, da Rua Halfeld, e de tantas outras praças e ruas das cidades do mundo todo. E isso, de modo irreversível.

Referências Bibliográficas

AGUIAR, Carlos Eduardo Souza. Da ciber-religião para a ciber-religiosidade. In: SILVEIRA, Emerson José Sena da, AVELLAR, Valter Luís de (Orgs.). Espiritualidade e Sagrado no mundo cibernético: questões de método e vivências em Ciências da Religião. São Paulo: Loyola, 2014.

FRAGOSO, Suely, RECUERO, Raquel, AMARAL, Adriana. Métodos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Sulina, 2011.

HELLAND, Christopher. “Surfing for salvation”. Religion, 32, p. 293-302, 2002.

IELB-TV - Lançamento do novo portal da IELB. Porto Alegre, Igreja Evangélica Luterana do Brasil, 2014. 27’16”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4PKPrRqxh2s> Acesso em: 22 de novembro de 2014.

JUNGBLUT, Airton Luiz. O uso religioso da Internet no Brasil. In: PLURA, Revista de Estudos de Religião, vol.1, n. 1, p. 202-212, jul./dez.2010.

KARAFLOGKA, Anastasia. “Religious Discourse and Cyberspace”. Religion, 32, p. 279-291, 2002.

KNEBEL, Patrícia. ‘Mídia fria, mídia quente’. Jornal do Comércio, Porto Alegre, 29 nov. 2011. Disponível em: <http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=74323> Acesso em 16 de outubro de 2014.

LÉVY, Pierre. O que é o virtual? 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2011.

_______. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

_______. As tecnologias da inteligência – o futuro da inteligência coletiva na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1996.

_______. A Emergência do Cyberespaço e as mutações culturais. Porto Alegre, 1994. Disponível em: <http://clickeaprenda.uol.com.br/sg/uploads/UserFiles/File/A_emergncia_do_cyberspace_e_as_mutaes_culturais.pdf>. Acesso em: 20 de novembro de 2014.

SILVA, Fernanda Costa e. Uma proposta de classificação das manifestações virtuais religiosas. In: COMPÓS - Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. v. 3, ago. 2005.

SBARDELOTTO, Moisés. “E o Verbo se fez bit”: Uma análise de sites católicos brasileiros como ambiente para a experiência Religiosa. 2011. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) - Universidade Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, 2011.

_______. Deus em bits e pixels: Rituais on-line e a experiência religiosa em tempos de internet. Anais do Congresso Internacional das Faculdades EST. São Leopoldo, 2012.

SPADARO, Antônio. Ciberteologia: Pensar o cristianismo nos tempos da rede. São Paulo: Paulinas, 2012.

_______. Web 2.0: Redes Sociais [tradução de Cacilda R. Ferrante]. 1.ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

_______. A Ciberteologia nas Redes. Disponível em; < http://www.ihu.unisinos.br/noticias/508828-a-ciberteologia-das-redes>. Acesso em 18 de novembro de 2013.

 

Baixe o texto completo…

mujica1"Quem gosta muito de dinheiro deveria ser afastado da política", reclamou José Mujica. Completaria a frase do ex-presidente uruguaio, dizendo: “Quem gosta muito de dinheiro deveria ser afastado da política e do sacerdócio religioso”. Está bem marcado na minha memória o conselho do meu pai: “Filho, fico muito feliz com a tua decisão de fazer Teologia, mas não esqueça que pastor não ganha muito dinheiro”. Tem gente que pensa diferente. É o caso de um representante comercial que propôs abrirmos uma igreja, ele com o seu tino comercial e eu com a minha experiência religiosa: “Podemos ficar ricos”, argumentou. Não sei por onde ele anda, se abriu uma igreja ou entrou na política, mas ele deveria ouvir o Mujica.

O apóstolo Paulo não deixou de aconselhar o jovem pastor Timóteo: “Os que querem ficar ricos caem em pecado ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição” (1 Timóteo 6.9). Mais adiante lembra que “algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a vida de sofrimentos”. É bom observar também que não é pecado ser rico e que voto de pobreza não faz ninguém melhor que os outros. O problema é o amor ao dinheiro, tanto no coração de um político e religioso (que fazem o povo sofrer) como no coração de qualquer pessoa que traz desventuras para si mesma.

"Se misturamos a vontade de ter dinheiro com a política estamos fritos”, completou Mujica. Jesus disse algo parecido, conforme o Evangelho desse Quarto Domingo de Páscoa: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Um empregado trabalha somente por dinheiro; ele não é pastor, e as ovelhas não são dele. Por isso, quando vê um lobo chegando, ele abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca e espalha as ovelhas. O empregado foge porque trabalha somente por dinheiro e não se importa com as ovelhas” (João 10.11-13).

Marcos Schmidt

marcos.ielb@gmail.com

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 25 de abril de 2015

amnesia-tipos-causas-tratamento-263x130Uma mulher inglesa, 32 anos, acordou em certo dia, olhou no espelho e enxergou outra pessoa. Pensando ter 15 anos de idade, não reconheceu no espelho as marcas do tempo. Uma amnésia rara devido um estresse que lhe roubara os últimos 17 anos da sua história. Não sabia o que era internet, nem que tinha um filho de 11 anos. “Olhei no espelho e tive o maior susto quando vi uma mulher com rugas me encarando”, conta a mulher com Amnésia Global Transitória. Após tratamento de três anos tentando relembrar fatos importantes desse tempo esquecido, ela voltou à vida normal.

Um tipo de amnésia também atingiu os discípulos, conforme o Evangelho litúrgico desse fim de semana (Lucas 24.36-49). Depois de ressuscitar, Jesus apareceu aos seus seguidores por diversas vezes, mas sempre com dificuldades para ser reconhecido por eles. Diz o texto bíblico que, ao verem Jesus, ficaram assustados e pensavam que era um fantasma. Para curá-los dessa estranha amnésia, o Senhor acalmou-os e relembrou fatos que tinham acontecido, inclusive da sua morte. Disse que tudo estava profetizado na Lei de Moisés, nos Livros dos Profetas e nos Salmos. Ou seja, tudo estava na Bíblia. Depois da eficaz terapia, o evangelista narra que “então Jesus abriu a mente deles para que eles entendessem as Escrituras Sagradas”.

Todos nós cristãos sofremos desse lapso de memória. E não existe outro remédio a não ser a mesma Palavra das Escrituras Sagradas.  A primeira epístola de João (3.2) diz que “...quando Cristo aparecer, ficaremos parecidos com ele, pois o veremos como ele realmente é”. Este dia é aguardado pelos cristãos - fé exposta nas palavras “creio na ressurreição dos mortos e na vida eterna”. Enquanto isto, aqueles que são semelhantes a Cristo e filhos de Deus precisam lembrar e relembrar que não têm apenas 15, 30 ou 80 anos. Eles têm muito mais idade, têm uma vida que não termina. Uma idade que se mostra nas rugas do amor de Cristo.

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 18 de abril de 2015

atirador (1)As notícias da bandidagem tomam conta nos jornais e nas conversas. Roubos, assaltos, violência, assassinatos são rotina. O que está acontecendo? Será que os bandidos aprenderam com a roubalheira do Lava-Jato e com toda a corrupção no país? Ou é falta de punição, cadeia, castigo com mais rigor? É a ausência da polícia nas ruas? São as drogas que viram epidemia? São os desajustes e conflitos familiares? São os lares sem pai nem mãe, sem educação e estrutura? Ou a culpa é da internet, redes sociais, da influência negativa dos meios de comunicação? Ou é a própria ganância, cobiça, ambição? Quais os reais motivos para tanta delinquência, criminalidade, violência, roubos, assassinatos, desonestidade, desordem social?

Poderia simplesmente dizer que é a falta de Deus na vida desta gente má. E não estaria errado. Qualquer pesquisa pode confirmar que pessoas religiosas, via de regra, não se metem na criminalidade. Claro, têm os lobos disfarçados de ovelhas, os bandidos com a Bíblia na mão, os Judas que vendem Jesus. Mas são exceções e logo descobertos. Com respeito a fé cristã, a Bíblia lembra que “se não vier acompanhada de ações, é coisa morta” (Tiago 2.17).  No entanto, as virtudes morais não configuram monopólio cristão ou religioso. Ateus e pessoas sem igreja também carregam o princípio da segunda tábua dos dez mandamentos bíblicos, que é respeitar pai e mãe, não matar, não adulterar, não roubar, não difamar. A diferença é que a união com Cristo transforma para uma vida de boas obras (Efésios 2.9).

Agora, cristão ou não cristão, religioso ou ateu, todos temos uma natureza má, e precisamos da dureza da lei para sobreviver em sociedade. Se as regras civis são violadas, há bagunça, caos. E se não existe justa punição aos infratores, as leis perdem seu efeito. Há muitas razões para tanta bandidagem, mas a principal, de fato, é a impunidade. Isto cabe aos governos, aos políticos, à polícia. Enquanto isto, existe outro caminho, o Evangelho de Cristo que faz a cidade mais segura.

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 11 de abril de 2015

Ovo-e-florPara muitas pessoas a Páscoa é apenas um feriadão. É apenas vender, comprar e ganhar chocolate e doces. Para essas pessoas a definição de Páscoa é muito pobre e ela já terminou.
No Jornal Zero Hora do dia 04 de abril – o jornalista e escritor Flávio Tavares escreveu: “O que é a Páscoa? Festejamos um coelho simpático... O sacrifíco da Páscoa é um desafio à vulgaridade crescente do atual estilo de vida, que engendra a violência e transforma meninos imberbes em delinquentes. Cultivamos a violência em tudo _ nos gestos espalhafatosos, na música do tum-tum-tum e suas letras grosseiras, na publicidade, nas buzinadas no trânsito, nos palavrões no futebol, na trapaça (grande ou pequena) com que ludibriamos o próximo. A cobiça passou a ser meta.”
Tudo isso nós vemos diariamente: violência, roubos, desrespeito e morte. E a morte tem uma força muito grande. Parece que no fim ela engole tudo. Ela usa muitas armas para matar: o fuzil, as bombas. Mas também usa o ódio, a indiferença e a injustiça. Ou usa a fome, a doença, o trânsito.
A morte tem tanta força que chegou a levar Jesus para a cruz e a sepultura. Mas em Cristo a morte chegou ao seu limite.Por isso para os cristãos: o que é a Páscoa? A própria Bíblia o define: “Jesus foi entregue para morrer por causa dos nossos pecados e foi ressuscitado a fim de que nós fôssemos aceitos por Deus.” (Romanos 4.25).
Para os cristãos, a Páscoa não tem fim. Ela se estende todos os dias. Ela é muito mais do que coelhinho e chocolate. Ela é muito mais do que um feriadão. Ou como escreveu Flávio Tavares: “Que a Páscoa fuja disso, rápida como coelho!”
Em Cristo Jesus está a verdadeira e diária Páscoa. Ele mesmo diz: “Eu vivo, vós também vivereis” (João 14.19).
A Páscoa com Cristo não tem fim. Pois a ressurreição de Jesus é de extremo consolo diário para nós. E por que ela é tão consoladora para nós? Martinho Lutero responde no Catecismo Menor: “A ressurreição de Cristo é tão consoladora para nós, porque ela prova incontestavelmente: 1° que Cristo é Filho de Deus e verdadeira sua doutrina; 2° que Deus Pai aceitou o sacrifício de seu Filho para a reconciliação do mundo e 3° que todos os fiéis ressuscitarão para a vida eterna.”
Realmente a Páscoa com Cristo não tem fim. Ele afirma: “Eu sou aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre. Tenho autoridade sobre a morte e sobre o mundo dos mortos.” (Apocalipse 1.18)
O poder da morte está definitivamente quebrado. A força da vida está definitivamente vitoriosa. E Jesus não quer essa vida apenas para si. Ele compartilha essa vida conosco.
Páscoa é dia de Jesus compartilhar a vida conosco. Exatamente por isso – a Páscoa com Cristo não tem fim.
Feliz Páscoa com Jesus sempre!!!
Pastor Leandro Born – Igreja Evangélica Luterana do Brasil – IELB – Crissiumal/RS.

superimagem-megacurioso-30241903300109817Eis que o tempo de Páscoa passou. Já. Poxa, até parece que há alguns dias atrás as pessoas se abraçavam e desejavam um Feliz Natal, um Feliz Ano Novo! E a Páscoa já acabou!? Parece que foi estes dias em que todos aproveitavam as férias, os passeios, a praia! E agora, a Páscoa já acabou!?

Sim, a Páscoa acabou. O coelhinho só volta em 2016 – que deve estar logo ali, pela velocidade do tempo. Lá se foi a Páscoa e agora ficam apenas as consequências. Os resultados da Páscoa estão aí: criançada entupida de chocolate! Sim, é um verdadeiro estoque de doces que os pais (numa tarefa árdua) tentam oferecer aos filhos em conta gotas. Sem falar que o trabalho de horas confeccionando chocolates nas formas e os arrumando quase perfeitamente nas embalagens acabam em segundos, destroçados pelas bocas famintas com fortes tendências de chocolatite aguda. E qual é o adulto que não foge da balança no pós Páscoa? Páscoa também é tempo de arrependimento. Arrependimento por devorar doces, chocolates e guloseimas, por sair dos limites.

A Páscoa acabou. Sua consequência não. “E, porque eu vivo, vocês também viverão” (João 14.19). Jesus vive. Foi ressuscitado. É Deus Salvador. Ele vive, nós viveremos. A consequência da Páscoa não traz problemas à saúde, não engorda, não dá dor de barriga na criançada. A consequência da Páscoa de Jesus traz salvação, perdão, recomeço, esperança, alegria. O Salvador vive. Ele é real e interessado por você, por sua vida, por seus problemas, por suas necessidades. Consuma sem medo. Estoque no coração a Páscoa de Jesus. Ofereça aos seus filhos. Eles vão adorar!

Então fica a dica: a Páscoa deixou suas consequências! Overdoses de chocolate, estoques de guloseimas, adultos fugindo das balanças, pais reorganizando as contas do mês para conseguir pagar os preciosos e caros ovos de chocolate. Mas calma lá! Saboreie, desfrute, estoque e ofereça a alguém as consequências da verdadeira Páscoa. Jesus ressuscitou. Deus nos deu Jesus como Salvador, Redentor, Senhor e Rei. Ele vive. Se você crer, viverá também. Creia. Viva. Saboreie as consequências da Páscoa de Jesus.

Pastor Bruno A. Krüger Serves - CEL Cristo, Candelária-RS

Fica a Dica, Folha de Candelária - Rádio Cristo para Todos

centro_de_qualidade_de_vida      Cada um de nós quer e busca pela boa qualidade de vida. Não são somente as pessoas enfermas que a buscam, mas todo o ser humano.

      Algumas atitudes ou atividades são fundamentais para que isto aconteça. Dentre elas podemos destacar: alimentação equilibrada; exercício físico regular; bom humor; capacidade para superar problemas e adversidades.

      Existe uma atitude que é ainda mais decisiva na busca do bem-estar. Trata-se do perdão. Desculpar pessoas pelas ofensas que lançaram contra nós faz um bem enorme. Não somente para a pessoa que nos ofendeu, mas para nós mesmos.

      O maior exemplo de perdão vem do próprio Deus. Ele “amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16).

      As nossas ofensas a Deus trazem sobre nós a sua ira e castigo. Ele não tolera o pecado (desobediência à sua vontade). Mas, ama o pecador. Ele toma a iniciativa e perdoa as nossas ofensas, mediante a fé em Cristo Jesus. Foi pela morte na cruz que o Salvador conquistou para nós o perdão.

      Quem aceita Jesus como Salvador dos seus pecados recebe o perdão de Deus. A partir daí começa a verdadeira qualidade de vida, pois este perdão traz a paz com Deus. A atitude de Deus em relação a nós serve de exemplo. Agora, estamos preparados para também perdoar aqueles que nos ofenderam e restabelecer a comunhão.

      Na teoria é assim. Na prática, nem sempre.

     Vale a pena treinar e praticar o perdão entre nós. A qualidade de vida será outra e bem melhor para todos.

Pastor Fernando Emilio Graffunder