Últimas Postagens

Meu pai era caminhoneiro no tempo quando poucas estradas eram asfaltas e já reclamava dos altos custos da profissão. Com problemas de saúde, vendeu o caminhão e se aposentou. Colocou o dinheiro na poupança e veio o Plano Collor que confiscou o dinheirinho dele. Conseguiu de volta mas defasado. Quanto a aposentadoria, acreditou receber o que tinha recolhido ao INSS, mas ela ficou reduzida pela metade. Um advogado até lhe sugeriu um jeitinho que o deixou ofendido pela proposta. É que o pai era correto. Uma honestidade compartilhada com o sogro dele, sócio num armazém abastecido pelo caminhão que transportava produtos coloniais de Rolante para Porto Alegre e na volta trazia mercadorias industrializadas. Eu ajudava no balcão da venda do avô quando tudo era manualmente empacotado e pesado. Os fregueses tinham o caderninho onde as mercadorias eram anotadas e pagas no final do mês. Mais tarde vieram os supermercados à cidade, alguns clientes não pagaram as contas fiadas, os impostos aumentaram e o armazém fechou as portas. O caminhão e a venda se foram, mas ficou a marca do meu pai e do meu avô no mundo dos negócios.

Nos últimos anos a vida melhorou em alguns aspectos, mas piorou em outros, em coisas  fundamentais para que os caminhões e os mercados continuem abastecendo a nossa sobrevivência. Temos mais conforto material, mas falta o que tinham os nossos pais e avós: honestidade. Está na Bíblia: "O SENHOR fez os pesos e as medidas; por isso quer que sejam usados com honestidade" (Provérbios 16.11). O Brasil é o sétimo país mais rico do mundo e o Eike Batista era a oitava pessoa mais rica do mundo. Precisamos ficar atentos para não perder o que Deus nos presenteou e depois ver juízes astutos usando o que nos pertencia. Aliás, este é outro recado bíblico: "Usem pesos e medidas certos, para que vocês vivam muito tempo na terra que o SENHOR, nosso Deus, lhes está dando" (Deuteronômio 25.15). Sejamos um governo e um povo mais íntegros nesta terra tão privilegiada. 

Marcos Schmidt

marcos.ielb@gmail.com

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 28 de fevereiro de 2015

“O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade” (Jr 23.28).

m_pagadas_na_areia

Elvio Figur

O poema a seguir é de autoria desconhecida e narra um sonho. Alguns sugerem que poderia ser um salmo, mas é apenas um sonho.

Ele está pendurado nos umbrais de muitas portas e salas;

“Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e, através do Céu, passavam cenas da minha vida.
Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia;
Um era meu e o outro do Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também, que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiantes do meu viver.
Isso entristeceu-me deveras, e perguntei então ao Senhor.
- ‘Senhor, Tu me disseste que, uma vez que eu resolvi seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, todo o caminho. Contudo, notei que durante as maiores atribulações do meu viver havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas. Não compreendo porque nas horas em que mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.’
O Senhor me respondeu:
- ‘Meu querido filho. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas de provação e sofrimento.
Quando viste na areia, apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que nos braços te carreguei.’”

† † †

OK! MAS e SE faltarem as Pegadas ao nosso lado na areia de nossa vida, é possível que elas faltem porque Deus nos abandonou?

† † †

A resposta a essa pergunta não é nem um SIM categórico, e nem um NÃO taxativo.

A falta de pegadas na Areia ao nosso lado ao longo da história de nossa Vida, nem sempre é evidência de que Deus efetivamente nos carregou em seus braços porque, como escreveu Isaías; “... as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus...” (Is 59.1).

Ainda estão frescas na memória de todos nós, as imagens dos parlamentares em Brasília, acusados de participação no ‘Mensalão’, orando ‘agradecidos’ a Deus pela ‘Bênção’, após receberem dinheiro ilegal...

Lembro-me ainda do filme ‘Cidade de Deus’ onde os ‘Larápios’ / 'Pivetes', antes de partirem para o furto, oram ‘com fervor’; “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o vosso nome...”

Pessoas que tem esse tipo de atitudes não precisam fazer o sinal da cruz, orar agradecidos pelas bênçãos nem o 'Pai Nosso' porque 'Deus NÃO os carrega nos braços para que seus pés não deixem rastros na areia’.

Pessoas que agem assim, a Bíblia chama de ‘Hipócritas’, porque tentam se esconder atrás de uma falsa ‘santidade’ ou de uma falsa confiança de que ‘Deus vai carregar / abençoar’ se fizermos em ‘nome dele’. Pessoas com atitudes assim, quando são surpreendidos por alguém que conseguiu seguir os seus rastros, descobrem que na verdade são as suas, e APENAS as suas próprias pegadas, que apareceram na areia porque Deus não compactua com esse tipo de atrocidade.

Isaías alerta que são;(ARA) ... as vossas iniquidades (que) fazem separação entre vós e o vosso Deus...; (NTLH) Pois são os pecados de vocês que os separam do seu Deus, são as suas maldades que fazem com que ele se esconda de vocês e não atenda as suas orações” (Is 59.2).

E é por este motivo que o Apóstolo Paulo também escreve; “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus” (1Co 6.9-10; Gl 5.19-21).

Ladrões, adúlteros, idólatras, homossexuais, mentirosos, bêbados e avarentos que não se arrependerem de seus pecados e corrigirem o seu modo de agir; NÃO contem com as pegadas de Deus ao seu lado, e muito menos que ele os carregue enquanto insistirem e seu erros!

† † †

A pergunta é oportuna e serve de reflexão constante;

E SE faltarem as Pegadas ao nosso lado na areia de nossa vida, é possível que elas faltem porque Deus nos abandonou?

† † †

Nos tempos do profeta Jeremias, havia em Jerusalém falsos profetas que 'cometiam adultério, mentiam, ajudavam os outros a fazer o mal' (Jr 23.14). Estes não eram profetas de Deus porque 'espalharam a desgraça pelo país inteiro' (Jr 23.15b). Mas Deus, através de Seu profeta, Jeremias, manda uma mensagem; “O SENHOR Todo-Poderoso diz ao povo de Jerusalém: - Não escutem o que (esses) profetas dizem, pois eles estão iludindo vocês com falsas esperanças. Dizem coisas que eles mesmos inventam e não aquilo que eu falei. Eles continuam dizendo aos que desprezam a minha mensagem: ‘Tudo irá bem’. E dizem aos teimosos: ‘A desgraça não cairá sobre vocês’” (Jr 23.16-17 NTLH).

Falsos profetas não eram novidade no tempo de Jeremias e nem o são hoje...

Falsas promessas de que ‘Tudo irá bem’; ‘Vai dar tudo Certo!’, estão levando muitas pessoas a ‘não levar TÃO a sério' os mandamentos do Senhor Deus e a sua Justiça. Pensam; “Ah! Bobagem, no final tudo vai dar certo”; “Só mais uma vez!”; “Fica tranquilo que nada vai te acontecer...”; “Ah! Deus me carrega! Nos seus braços”...; “No final, Deus vai perdoar tudo...”.

Cuidado!

As pegadas ao nosso lado faltam quando estamos em caminhos maus! Por estes caminhos Deus NÃO nos acompanha... Nos caminhos do Mal é o Maligno que nos empurra mansamente para a morte... Como lembra o sábio; “Há caminhos que parecem certos, mas podem acabar levando para a morte” (Pv 14.12).

O apóstolo Tiago explica como isso ocorre de maneira muito sutil; “... as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos. Então esses desejos fazem com que o pecado nasça, e o pecado, quando já está maduro, produz a morte. Não se enganem, meus queridos irmãos” (Tg 1.14-16).

† † †

Alguém disse certa vez que Deus correu um risco muito grande ao anunciar que a salvação é dom gratuito sem a participação das obras humanas... O risco consiste naquilo que Dietrich Bonhoeffer chama de ‘Graça Barata’ e é um dos grandes enganos que arrastam muitos cristãos sinceros por caminhos que parecem certos, mas que podem acabar levando para a morte...

A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado (Dietrich Bonhoeffer).

Deus não mente nem engana ninguém. E, se séculos atrás ele disse; Não furtarás, não dirás falso testemunho contra o teu próximo, não mentirás, etc, é porque ele sabe que isso estraga nossa vida. E porque por estes caminhos ele não vai nos acompanhar... Mesmo que usemos o nome de Deus como pretexto...

Quando Deus põe Abraão à prova no episódio registrado em Gênesis 22, o que está em jogo é o temor e a confiança que esse homem de fé tinha em seu criador. Ele estava disposto a sacrificar o seu próprio filho em obediência ao mandado de Deus. Isso fica claro quando o anjo fala com ele; “Não machuque o menino e não lhe faça nenhum mal. Agora sei que você teme a Deus, pois não negou o seu filho...”. Por sua fé e sua demonstração de temor a Deus, Abraão foi abençoado ricamente. Ele foi um verdadeiro discípulo, pois foi capaz de abrir mão daquilo que, para ele, era o que ele tinha de mais precioso, seu único filho nascido quando ele já tinha mais de 100 anos de idade, a fim de receber o que tem valor muito maior; o Presente Gracioso e Gratuito de Deus.

Esse Presente, é o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem é capaz de arrancar o olho que o faz tropeçar; é o chamado de Jesus Cristo, o qual, ao ouvi-lo, o discípulo larga as suas redes e o segue... Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, ao compromisso... (Dietrich Bonhoeffer).

O Salmo 25 (8 e 9) diz; “O Senhor é justo e bom e por isso mostra aos pecadores o caminho que devem seguir. Deus guia os humildes no caminho certo e lhes ensina a sua vontade”. Esse caminho é um caminho de santidade no qual a Graça imerecida não é barateada pela falsa ideia de que Deus sempre o carrega em seus braços mesmo que você conscientemente siga por caminhos de morte.

Jesus pagou um alto preço pela nossa salvação. Como escreveu Bonhoeffer; “Essa graça é sobretudo preciosa por tê-la sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “fostes comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro”.

† † †

A Iniquidade que nos separa de Deus não está lá longe de cada um de nós. Não está apenas nos casos que ganham repercussão na mídia. Está em todo o ser humano.

Foi por isso que a morte de Cristo foi necessária. Mas, mesmo perdoados, nem sempre conseguimos cumprir a vontade de Deus. Por isso precisamos pedir sempre que Deus nos ajude a andar por caminhos onde ele pode nos acompanhar. Precisamos orar com o salmista; “Ó Senhor, ensina-me os teus caminhos! Faze com que eu os conheça bem” (Sl 25.4).

Assim, ao longo da difícil e árdua caminhada pela Estrada Estreita, ou Quando faltarem as pegadas na areia ao carregarmos nossa cruz, poderemos VER e SENTIR DE VERDADE que, nos momentos difíceis o Senhor Jesus Cristo carrega em seus braços com todo carinho e cuidado...

Que assim seja. Amém.

mentiraSatanás existe ou é invenção? Faço a pergunta porque ele é personagem na tentação de Jesus, conforme uma das leituras bíblicas neste primeiro Domingo da Quaresma. No referido texto e em muitos outros da Bíblia, é figura real e não uma representação do mal. Os nomes bíblicos que carrega indicam sua legítima existência: Satanás (adversário); Diabo (acusador), tentador; pai da mentira; maligno; príncipe do mundo; deus deste século. A grande confusão é que sempre se ofereceu ao Diabo um poder que ele não tem e se tirou dele um poder que ele tem. Quem ganha neste conflito é o próprio pai da mentira. Uma boa leitura das três tentações sofridas por Jesus (Mateus 4.1-11), no entanto, indicam as táticas diabólicas nas provações que todos enfrentamos. Se nas duas primeiras há um contraste de estratégia (provocar falta de confiança e excesso de confiança em Deus), na última, Satanás deixa de lado a sutileza e mostra o que realmente pretende: "Eu lhe darei tudo se me adorares". Dar a Jesus o que já lhe pertence? Sem dúvida, a maior de todas as falcatruas.

Jesus venceu Satanás no deserto e na cruz. Jesus é Deus. E assim cumpriu a profecia ao “esmagar a cabeça da serpente” (Gênesis 3.15). Mas, a enorme capacidade do anjo maligno está descrita na parábola do Semeador: “O Diabo chega e tira a mensagem do coração delas para que não creiam e não sejam salvas” (Lucas 8.12). Qual a mensagem que o Diabo tira? É aquela que Jesus mesmo anunciou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Por isto, “diabo”- acusador, pois nos denuncia de algo que já não existe. “Se alguém pecar”, diz a Bíblia, “temos Jesus Cristo, que faz o que é correto. Ele nos defende diante do Pai” (1 João 2.1). Neste mundo onde somos roubados de tantas coisas, sem dúvida, o maior prejuízo é perder aquilo nos foi dado de graça através da vida, morte e ressurreição de Jesus.

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 21 de fevereiro de 2015

Dr. Charles P. Arand*

Sábado ou domingoDe início, eu tenho de reconhecer que as questões de quando e como se deve observar o sabá não têm despertado muita atenção dos luteranos ao longo dos anos. Até o presente, os luteranos são em grande parte guiados pelo modo como Martinho Lutero, o reformador protestante do século XVI, interpretou o mandamento do sabá em seus Catecismos Breve e Maior.

No Breve Catecismo, Lutero traduz o texto bíblico assim: “Santificarás o dia do descanso” (para os textos dos catecismos de Lutero, ver oLivro de concórdia: as confissões da igreja evangélica luterana [N.T.: publicado em português pela Editora Sinodal em conjunto com a Editora Concórdia e a Editora da Ulbra]). Como você pode ver, ele aparece um pouco diferente de como talvez estejamos acostumados a ler. A fim de melhor compreender a visão luterana do dia do sabá, precisamos considerar tanto a sua história como o seu entendimento atual.

O evangelho e o sabá

Toda tradição é moldada pela era formativa na qual emergiu. Isso também é verdade quanto ao luteranismo. Quando Lutero redescobriu o evangelho, ele arrancou, uma por uma, as camadas encrustadas de regulações legalistas que obrigavam os cristãos a alcançarem a sua justiça por seus próprios méritos. Do século XVI em diante, a preocupação central e primordial dos luteranos era, como é, o evangelho de Jesus Cristo. Este evangelho anuncia que Deus nos considera justos, pela graça, em virtude de Jesus Cristo, pela fé somente. Este evangelho dá toda a glória a Cristo e traz pleno conforto aos pecadores aflitos. A fim de preservar a história do evangelho enquanto história do evangelho, os luteranos foram, e continuam a ser, vigilantes em se opor a qualquer coisa que possa apontar na direção do legalismo e de uma justiça meritória, na medida que essas coisas solapam o evangelho.

Assim, Lutero traduziu o mandamento do sabá de modo a rejeitar as interpretações legalistas que eram tão comuns em seu tempo. Inicialmente, ele teve de lutar com o legalismo, encontrado na igreja medieval, concernente a diversas regulações que a igreja estabelecera sobre como o dia deveria ser observado. Depois, ele também reputou necessário rejeitar as tentativas de restabelecer o sabá do sétimo dia como algo “legalmente” obrigatório aos cristãos na era do Novo Testamento.

Os paralelos entre o legalismo que Jesus encontrou entre os líderes religiosos de seu tempo e aquele que Lutero encontrou em seus dias são claros. Em várias ocasiões, os evangelhos relatam como Jesus resistiu às exigências quanto ao sabá feitas por seus oponentes. O sabá foi feito para o homem, não o homem para o sabá. “De sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Marcos 2.23-28). Em outro lugar, Jesus acrescentou que ele e o seu pai continuavam a trabalhar até aquele dia (João 5.10-17). Paulo desenvolve esse ponto ao sustentar que Jesus é o cumprimento da lei da antiga aliança e, assim, o fim dessa lei (Romanos 10.4).

Outra passagem central para o entendimento luterano acerca da aplicabilidade continuada das exigências do Antigo Testamento é Colossenses 2.16-23:

Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. […] Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.

Isso significa que nenhuma das leis da antiga aliança dadas distintamente a Israel são obrigatórias aos cristãos. Os luteranos creem que as leis da antiga aliança permanecem válidas para os cristãos na medida que elas concordem com a lei natural, isto é, estejam entrelaçadas no tecido da criação e escritas em nossos corações (para uma boa introdução a este assunto, ver J. Budziszewski, Written on the heart: the case for natural law [Downers Grove, Illinois, EUA: IVP Academic, 1997] [N.T.: Escrita no coração: em defesa da lei natural, sem tradução em português]). Todas as outras podem ser apropriadas na medida que sejam úteis e sirvam a um bom propósito, mas não podem ser tidas por obrigatórias.

A versão de Lutero

Contra esse pano de fundo, podemos considerar as explicações de Lutero acerca do mandamento do sabá tal como encontrado em Êxodo 20.9-11. O texto completo diz o seguinte:

Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.

Lutero encontrou a sua pista para a interpretação no versículo 11. Ao fazê-lo, ele concentrou-se no “descanso” e na palavra divina de “benção”.

Primeiro, Lutero traduz a palavra sabbath como “dia do descanso”. Deus descansou e “tomou alento” no sétimo dia (Êxodo 31.17). A igreja medieval havia frequentemente interpretado sabbath com o significado de “dias de festa” ou “dias santos”. Esses eram os dias designados pela igreja como dias santos ou separados para especial observância. Obviamente, isso incluía os domingos, mas não exclusivamente. Então, uma série de regulações era imposta, as quais tornavam a observância do mandamento mais um fardo do que uma bênção. Em um sermão pregado em dezembro de 1528, Lutero observou que os homens e os animais necessitam, igualmente, de um tempo para descansarem e tomarem alento. Uma pessoa não pode trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sem parar. O fato de se descansar é mais importante do que quando se descansa. Então, se não pode ser no domingo, então descanse em algum outro dia.

Segundo, como alguém santifica (torna santo) o dia do descanso? Aqui Lutero toma o tema de Êxodo 20.11, que diz: “o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou”. Em outras palavras, a palavra de bênção proferida por Deus tornou o dia santo. Novamente, isso contrastava com a tendência da igreja medieval de considerar santo o espaço de uma igreja pelo fato de, abaixo do altar, estarem enterrados os restos mortais de algum santo. Contra esse pano de fundo, Lutero reivindicava que apenas a Palavra de Deus torna todas as coisas santas. A Palavra realiza aquilo que ela diz. Quando Deus diz: “haja luz”, há luz. Quando Deus diz: “eu o perdoo”, você está perdoado. Então como nós tornamos santo o dia de descanso? Atendendo à Palavra de Deus. A Palavra tornou o dia santo, assim como nos tornou santos. Não se pode fazer nada melhor do que separar algum tempo e ocupar-se com a Palavra de Jesus Cristo.

E hoje?

Toda tradição é moldada pela época que deu origem à sua história e aos seus valores. Isso certamente é verdade com respeito à minha própria tradição luterana. A redescoberta do evangelho por Lutero e sua desavergonhada rejeição das amarras do legalismo continua a moldar a abordagem da minha tradição quanto à lei e às regulações humanas. Há mais a ser dito? Certamente. Em particular, penso que o relato do sétimo dia da criação em Gênesis provê algumas proveitosas diretrizes sobre como nós pensamos acerca de nós mesmos, de nosso lugar na narrativa da criação e da renovação final da criação em Jesus Cristo.

De várias maneiras, o sétimo dia marca o término e a culminação da criação. Todas as coisas conduzem a ele. Deus gostou do que havia feito e se deleitou na criação (ver o útil trabalho de Norman Wirzbs,Living the Sabbath [Grand Rapids: Brazos Press, 2006] [N.T.: Vivendo o sábado, sem tradução em português]). Ele nos convida, nós que fomos feitos à sua imagem, a fazermos o mesmo. Como é óbvio, em Adão nós bagunçamos as coisas. Deus prometeu restaurar o seu povo e a sua criação. Jesus veio endireitar as coisas. Ele veio reivindicar e restaurar a sua criação. Ao morrer, ele suportou a maldição. Ao ressuscitar, a nova criação irrompeu do meio da primeira criação.

Não é de admirar, então, que a igreja primitiva tenha considerado o domingo – o dia da ressurreição de Jesus – como o oitavo dia da criação. A ressurreição de Cristo não deixa para trás a primeira criação e, com ela, o sétimo dia do descanso. Em vez disso, a primeira criação e o seu sabá são, agora, alcançados na ressurreição de Cristo e encontram o seu cumprimento na nova criação. Assim como Deus nos convocou a compartilhar do seu deleite sobre a criação original, ele agora nos convoca a compartilhar do seu deleite sobre a nova criação que se revelará, de modo completo e definitivo, quando Cristo retornar em glória. Naquele dia, nós entraremos no eterno descanso sabático (ver Hebreus 4.4-11), no qual haveremos de nos alegrar por tudo o que Deus fez.

Nesse meio tempo, precisamos redescobrir a importância e o valor do descanso sabático. Temos separado tempo para descansar nosso corpo e nossa mente? Temos separado tempo para nos deleitarmos e satisfazermos na feitura de Deus? Com muita frequência, em nossa sociedade viciada em trabalho, nós corremos pela vida cegos para as muitas maravilhas da criação divina. Falhamos em observar tudo o que Deus fez. A redenção nos restaura para Deus, uns para os outros e para a criação. O sabá nos convida ao deleite em tudo o que Deus fez (a criação e a sua renovação) e, assim, a tomarmos alento.

 

*Dr. Charles P. Arand é professor e catedrático do Departamento de Teologia Sistemática no Concordia Seminary em Saint Louis, Missouri, EUA. Ele é coautor do livro The Genius of Luther’s Theology: A Wittenberg Way of Thinking for the Contemporary Church [N.T.: O gênio da teologia de Lutero: o modo Wittenberg de pensar para a igreja contemporânea, sem tradução em português].

 

(Fonte; http://voltemosaoevangelho.com/blog/2015/02/o-debate-sobre-o-saba-o-descanso-luterano)

bombeiros-orientam-folioes-no-carnaval-2009-55047-11Aprendi que “carnaval” se escreve com “c” minúsculo enquanto que “Páscoa”, por exemplo, escreve-se com “P” maiúsculo. A regra é bem simples: as festas de origem cristã escrevem-se com letra maiúscula e as festas de origem pagã com letra minúscula. Portanto, carnaval, até nos princípios ortográficos, é uma festa pagã.

Uma festa pagã? Sim, na sua origem um tanto obscura. É uma festa ligada com os ritos primitivos da fertilidade e com as orgias romanas dedicadas ao deus Baco (o deus do vinho e da fertilidade).

Mas, por que logo depois do carnaval vem a Quarta-feira de Cinzas? É que, a partir do momento em que a Igreja se tornou oficial no Império Romano, ela passou a ditar regras e, uma delas, era a obrigatoriedade do jejum (como sinal de penitência) no período da Quaresma. A reação do povo foi aproveitar tudo o que tinha direito antes que começasse este período de privações e sofrimento. Assim, o carnaval se desenvolveu até chegar naquilo que hoje se vê. E o Brasil virou o país do carnaval.

Quem sabe dá para destacar coisas boas do carnaval: o feriadão, (para muitos é o único tempo que podem sair para dar uma descançada); as escolas de samba (que, com sua infra-estrutura, geram muitos empregos e tiram muitas pessoas da miséria); os desfiles alegóricos (desenvolvem o folclore e a cultura de nossas origens). Mas o carnaval não tem apenas uma origem pagã: ele tem um espírito pagão que, em última análise, é sua força motora. São dias de orgia, dos prazeres da carne, da liberação de princípios, da distribuição gratuita de milhões de camisinhas para a promiscuidade sexual, das atitudes sem prestação de contas a ninguém, da adoração a deuses pagãos. Enfim, do jeito que o diabo gosta.

Como cristãos, qual a atitude que precisamos tomar frente ao carnaval? Cristianizar a festa pagã ou paganizar o comportamento cristão? Neste caso eu penso que há uma terceira via. E esta vai direto ao nosso coração. Jesus, que nos conhece muito bem, afirmou: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos...”(Mt 15.19). Ele, por nos conhecer tão bem, “nos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef 5.2), dando-nos vida e condições para que o nosso coração se inclinasse a novos projetos de vida, que combate o mal e o pecado e, em lugar deles, prova o que “é agradável ao Senhor” (Ef 5.10). Isto implica em sermos muito criteriosos em nossas atitudes. O apóstolo Paulo, na carta aos Efésios 5, dá algumas dicas: 1) Não digamos “me engana que eu gosto”, pois “o castigo de Deus vem sobre os que lhe desobedecem”(v.6); 2) não entremos inocentemente na onda do “todo mundo faz” para não sermos “cúmplices nas obras infrutíferas das trevas” ( v.11), pois, como disse Lutero “não erra menos quem erra com muitos”; 3) mas procuremos “compreender qual a vontade do Senhor” (v.17).

Para isso, em vez de a gente se encher da “boa”, da “nova” , da “que desce redondinho”, ou algum de “destilado”, cujo efeito é mais rápido..., que podem nos levar à “desgraça” e provocar mais acidentes ainda, o apóstolo nos aconselha a “nos animarmos uns aos outros com salmos, hinos e canções espirituais, agradecendo sempre todas as coisas a Deus, o Pai( v. 19).

                                   Edgar Lemke – Pastor da IELB

carnaval_1024x768Todo início de ano é a mesma coisa. Somos confrontados com imagens, fotos notícias, badalações, avenidas enfeitadas uma multidão de pessoas pulando, festejando e gritando ao som de músicas e ritmos. Quando vemos essa agitação sabemos que o carnaval está chegando.

Comentaristas e narradores não cansam de elogiar a “garra e a disposição” dos passistas, dançarinos, alas e grupos em geral. No aspecto visual tudo parece muito bonito. Por mais que se tente propagar como uma festa folclórica e de alegria, o carnaval fica marcado pelo que ele realmente é: a festa da carne, da promiscuidade, da violência, da prostituição, das drogas e bebedices. Na embriagues da sensualidade, dos vícios e da luxúria as pessoas saem do seu “eu” normal, e passam a viver num mundo ilusório, alteram totalmente a escala de valores morais e nobres como se tudo fosse normal e aceitável ao pudor.

Muitos cristãos de outras religiões e luteranos já foram (e continuarão indo!) ao carnaval com a desculpa de que lá também podem ser cristãos. Lembro-me que num carnaval em anos anteriores, que até evangélicos organizaram seu bloco para participar. Será que o cristão ao alegrar-se junto com o mundo nos dias de carnaval, não dá o testemunho de que o carnaval não tem nada de errado, dando assim sua contribuição para que seja visto como uma coisa boa? A alegria do carnaval é para o cristão? Será que podemos juntar o santo com o profano? Será que Deus se agrada daquilo que foi destinado ao diabo? Que testemunhos podem ser dados em tais circunstâncias, se estamos envolvidos diretamente com a perversidade? Onde fica a posição de cristãos, que devem ser exemplos para os outros, representantes de Deus na obra da salvação?

Se entendemos a alegria do carnaval como o prazer de andar na contramão, então obviamente chegamos a conclusão de que: tal alegria não é para o cristão. A mesma Poe em risco a fé cristã. O carnaval nada acrescenta de digno à vida cristã. Portanto a alegria originada na festa do carnaval não é tolerável nem recomendada ao cristão. Na festa do carnaval, as pessoas apresentam comportamentos e atitudes incoerentes ao cristianismo.

Em termos práticos, cada festa, cada atividade e cada programa que o mundo proporciona e demonstra capacidade e eficiência para reunir um bom número de pessoas durante tantos dias de uma só vez, deve servir de estímulo e desafio pra que nos organizemos como igreja de tal forma que nossas programações ofereçam a alegria verdadeira e que chamem pessoas a exercitar a comunhão dos santos com naturalidade e regularidade. Precisamos fazer uma avaliação constante de nossas atividades como igreja do quanto elas estão ou não permeadas com a verdadeira alegria. Sermos alegres na igreja, fazendo de cada culto, de cada encontro, de cada programação uma verdadeira festa de alegria é um desafio constante para nós.

O apostolo Paulo diz: “Alegrai-vos, sempre no Senhor outra vez digo, Alegrai-vos” (Fl 4.4). Alegrai-vos no Senhor, pois somente no Senhor Jesus encontramos a verdadeira alegria. Não uma alegria passageira, mas uma alegria duradoura, uma alegria que é para a vida eterna. Desejamos que nesses dias, vocês se sintam felizes, não por causa do carnaval, mas por ouvir Jesus dizer: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37). Amém.

( Retirada: Mensageiro Luterano – Mormello Pastor da IELB)

 aguia-voando-wallpaper       Em algum momento na vida e por alguma razão bem particular já tivemos o desejo de voar como os pássaros. Este desejo traz consigo a sensação de liberdade. Vivemos presos a uma realidade nem sempre muito agradável. Principalmente quando somos acometidos por algum tipo de sofrimento.     

       Sofrer cansa. Tira as forças. Mexe com o nosso físico e com o nosso emocional. As dificuldades da vida, por vezes, parecem verdadeiras tormentas. O que fazer em situações que nos prendem e causam um grande cansaço? O que Deus tem a nos dizer?

       Através do profeta Isaías, nosso Deus diz o que ele faz. Em seu amor e poder, nosso Pai Celestial sabe o se passa com cada um de nós e toma providências. “Aos cansados ele dá novas forças e enche de energia os fracos. Até os jovens se cansam, e os moços tropeçam e caem; mas os que confiam no Senhor recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam.” Isaías 40. 29-31.

       Aqueles que confiam no Senhor voam nas alturas como as águiasA comparação com a águia é no sentido de que, com a chegada da tempestade, ela voa mais para o alto e espera que o vento venha. Então ela abre as asas de forma que o vento bata nelas e a erga acima da tormenta. Enquanto dura a tempestade, a águia fica planando acima dela. A águia   não foge, mas usa a tempestade para subir mais alto.

       Quando as tempestades da vida se abaterem sobre nós podemos subir mais alto colocando a nossa mente e a nossa confiança em Deus. Esta atitude irá nos tranquilizar para irmos à luta. Além disso, temos um reforço muito especial como está escrito no livro de Filipenses 4.13: “Com a força que Cristo me dá possa enfrentar qualquer situação.” Voar como águia é colocar nossa confiança em Deus, na certeza de que ele está conosco em toda e qualquer situação. Com a Palavra do Senhor vamos receber sempre novas forças.

Pastor Fernando Emilio Graffunder

77894968O escândalo envolvendo Anderson Silva no exame antidoping é outra notícia ruim para nós brasileiros. Nossa moral está lá em baixo. Na política, na economia, no esporte. Nos deixa desamparados, sem pai nem mãe, carentes de bons políticos, atletas, líderes honestos que nos inspirem no esforço da vida sem o uso de "anabolizantes". O lutador Spider, como é conhecido mundialmente, foi pego no exame pelo uso de esteroides que aumentam a massa muscular e a força física, substâncias proibidas nas lutas de ringue, assim como é proibido fazer gol com a mão no futebol. Se for comprovado, sua carreira acabou. Ele sabia disto, assim como qualquer um está ciente que a mentira tem perna curta. Cedo ou tarde tudo vem à tona. Os exemplos estão aí no Mensalão, no Lava à Jato, no infortúnio de Eike Batista, enfim, nas histórias de pessoas que venceram enganando, mas que agora foram pegas no exame antidoping.

A Bíblia é um livro repleto de histórias parecidas, de trapaças descobertas e que servem de modelo para não se fazer a mesma coisa. O que distingue este livro é o caminho para encontrar forças e vencer na vida. Um jeito diferente, por exemplo, do que Anderson Silva sugere ao citar uma frase nas redes sociais nesse momento difícil de sua vida: "Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por alguma força que venha de fora". Jesus lembra que “é de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos” (Marcos 7.21). Através do profeta, Deus já tinha dito: “Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos, e eu não ajo como vocês. (Isaías 55.8). Qualquer um precisa entender que na batalha contra o maior inimigo, o “eu da mentira”, só mesmo uma força de fora. Por isto o convite de Jesus: “Eu sou a videira e vocês os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada” (João 15.5). O fruto mais vistoso na união com Jesus é a própria verdade, um resultado sem anabolizante.

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 14 de fevereiro de 2015

 25_cao_com_jornal1     Quando você pega o jornal para ler, por onde você começa? Preciso confessar que muitas vezes começo lendo jornais e revistas não pelo começo, mas pelo final. É pegar o jornal, virá-lo e começar a folheá-lo de trás para a frente. Não sei se é alguma síndrome. Mas reparei que não sofro sozinho deste mal. Já vi muita gente fazendo isto. Será que é um transtorno? Ou será que é um hábito?

      Imagine se pudéssemos fazer isto com as páginas da nossa vida! Você gostaria de folheá-las ao contrário? Seria como assistir sua vida de trás para a frente. Acho que seria completamente sem graça. Tudo perderia o gosto: as emoções, as surpresas, as paixões, as conquistas e até as dores e tristezas. Já saberíamos o desfecho final de todas as cenas da nossa vida: o futuro dos filhos, a vida profissional, o time campeão no futebol, nosso próprio fim. Acho que seria sem graça.

     É chover no molhado, mas Deus nos faz viver cada página de uma vez. Começando pelo começo! A cada dia Deus nos permite escrever novas histórias. A cada dia Deus nos proporciona novas emoções. Algumas maravilhosas, outras nem tanto. Muitas páginas não entendemos do porquê estarem no livro de nossa vida. Mas estão lá.

     Se a última página ainda está por vir (e nem sabemos quando será), é preciso preparar um grand finale. E para isto Deus nos deu Jesus. Ele é Deus Ressuscitado, acolhedor, que perdoa, cura, cuida, ama, salva. “Hoje você estará comigo no paraíso” (Lucas 23.43), disse Jesus para um pobre ladrão arrependido e pregado na cruz ao seu lado. Era a última página do ladrão arrependido! Que grand finale! Creia neste Jesus. Viva com Jesus. Tenha ele em todas páginas da vida, do começo ao fim.

     Então fica a dica: ler o jornal de trás para a frente pode até ser interessante! Mas na vida se lê cada página de uma vez, do começo ao fim. Deixe Jesus cuidar de cada história, de cada página do seu viver! Isto é garantia que, pela morte e ressurreição de Jesus, os cristãos irão se surpreender com o grand finale que na verdade não é o fim, mas o início de um novo capítulo: “comigo no paraíso”, como disse Jesus!       

Pastor Bruno A. Krüger Serves / Congregação Evangélica Luterana Cristo, Candelária-RS

c7141f84d85ef7cc27810bbf4fa8df3bPara não envelhecer, uma britânica de 50 anos não sorri há 40 anos. Ela educou os músculos a fim de conter as expressões faciais e evitar as marcas do tempo: "Todo mundo pergunta se tenho botox, mas eu não tenho, graças ao fato de não sorrir desde minha adolescência". Mas, essa vaidade provoca efeitos contrários. É que os músculos em movimento aumentam a quantidade de sangue onde atuam e ajudam a calcificar os ossos. Através do sorriso, pele, músculos e ossos ficam saudáveis e mantem a aparência mais jovem.  O sorriso também ativa a produção da serotonina e das endorfinas, substâncias que estimulam a sensação de bem-estar, melhoram o humor e previnem contra a depressão. Pobre dessa britânica, busca a juventude mas colhe a velhice precoce.

Engraçado, mas nosso jeito de vida é bem isto. Lutamos pela felicidade, mas estamos sempre infelizes. Inventamos máquinas para ter mais tempo, mas sempre correndo contra o relógio. Aprimoramos a tecnologia para uma vida melhor, mas sempre estressados. Trabalhamos que nem loucos para ter mais dinheiro, mas cada vez mais endividados. Construímos casas sofisticadas, mas sem tempo para morar nelas. Descobrimos tratamentos de cura, mas outras doenças aparecem. Aperfeiçoamos os meios de comunicação, mas nossos relacionamentos se complicam sem parar. Diminuímos distâncias com veículos modernos, mas nos distanciamos uns dos outros por ódios e ressentimentos. Grande ironia, tudo o que fazemos produz efeito contrário do que pretendemos.

Salomão descobriu que "quanto mais sábia é uma pessoa, mais aborrecimentos ela tem" (Eclesiastes 1.18). Então aconselha: "Seja feliz enquanto é moço" (11.9). Querer lutar contra as rugas da alegria num mundo onde sempre vamos sofrer é "correr atrás do vento" (2.11). Ao falar das contrariedades na vida cristã, o apóstolo confessou: "Nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança" (Romanos 5.3,4). Sem rugas, a vida perde a graça.

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 7 de fevereiro de 2015

timthumbUma displicência que custou caro.

No mesmo dia, um pai de São Bernardo do Campo e uma mãe de Belo Horizonte esqueceram suas filhas de 2 anos dentro do carro. Eles se esqueceram de levá-las para a creche, foram trabalhar e as meninas ficaram horas presas dentro do carro. Quando se deram conta, era tarde demais.

A gente fica num misto de incredulidade, indignação e compaixão.

Mas a verdade é que todos nós, em algum momento, fomos displicentes com aquilo (ou Aquele) que realmente importa.

Lembrei-me imediatamente da lenda daquela pobre mulher, com uma criança no colo, que passou em frente a uma caverna e escutou uma voz misteriosa que saía lá de dentro: “Entre e apanhe tudo o que você desejar. Lembre-se, porém, que, depois que sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal”.

A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. Então a voz misteriosa falou novamente: “Você só tem oito minutos”.

Esgotado o tempo, a mulher, carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou. Lembrou-se, então, que a criança ficara lá dentro, e a porta agora estava fechada para sempre! A riqueza durou pouco e o desespero, sempre.

Displicências que custam caro.

Neste ano, estabeleça suas prioridades. Aonde quer chegar? O que é mais importante ou urgente? Para o que você vai dar mais atenção? Está pensando no ter ou no ser? Na sua escala de valores, pessoas vêm primeiro? Ou são as coisas? Ou talvez o sucesso profissional?

E, acima disso tudo, pergunte-se: estou discernindo o que é melhor tendo em vista a volta de Jesus a este mundo, a salvação, e o fato de ser um peregrino aqui neste mundo? Há algo nas minhas prioridades que me afasta de Jesus e da comunhão com os irmãos que também creem nele? Consigo me organizar melhor para alimentar minha fé e, após, também descansar e me divertir?

Sem nos darmos conta, os oito minutos da nossa vida passam muito rapidamente e deixamos a criança dentro da caverna: esquecemos de Deus, da sua Palavra, do momento semanal de culto a Ele. Não lemos mais o que Ele ensina por estarmos ocupados. Não vamos mais à Casa dEle porque estamos distraídos por outras coisas. Enfim, vamos esquecendo Deus na cadeirinha.

O convite que Deus nos faz é: vamos andar juntos!

Ele certamente quer estar junto de você quando for ao trabalho, à escola, ao futebol ou quando estiver em casa, com sua família.

Mas Ele também quer estar junto de você naquela hora especial de culto, quando Ele relembra a você tudo o que fez pela sua salvação, ao enviar Jesus para morrer na cruz e pagar o preço do seu pecado. Aquela hora tão especial em que ouvimos com alegria sobre o amor de Deus e declaramos com voz e coração o nosso amor por Ele.

Não deixe Deus esquecido na cadeirinha.

2015 está no começo. Dá para rever muita coisa. E pode escrever: com Deus no topo da lista, nossas prioridades estão mais bem resolvidas.

P. Julio Jandt

images        Quem nunca fez a famosa vaquinha? Sim, aquele combinado entre amigos de dividir a conta. Todos pagam juntos. Pode ser a conta do churrasco, a conta da pizzaria, a conta da praia. A vaquinha, sinônimo de rateio, é o valor da conta dividida pelo número de amigos. Simples. Fácil. Dá certo!

        E não é que a famosa vaquinha saiu das rodas de amigos e invadiu gabinetes, estatais e a cúpula política de nossa nação? Sim, a vaquinha tomou conta! Afinal, quem é que vai pagar os oitenta e oito bilhões (BILHÕES!) de reais que foram roubados da Petrobrás? Sem falar no rombo dos cofres públicos, compra superfaturada de refinaria no EUA, o déficit bilionário de 2014 na economia brasileira e os desvios nas obras da Copa do Mundo! Grande contraste com os escândalos milionários de propinas e corrupção.

       E qual foi a solução apresentada por nossos líderes recém eleitos? Vaquinha! Sim, bem ao contrário das promessas de eleição. “Quando o governo é justo, o país tem segurança; mas quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça” (Provérbios 29.4). A vaquinha é perigosa. Leva à desgraça do trabalhador honesto que tem que entrar na vaquinha para pagar pelo rombo da corrupção. “Um país sem orientação de Deus é um país sem ordem” (Provérbios 29.18). Faltam princípios e orientação. Não para resolver os rombos nos cofres, mas para evita-los.

        Então fica a dica: quando você for abastecer o seu carro, lembre-se que você está na vaquinha. Quando você for surpreendido pelo valor da energia elétrica, lembre-se que você está na vaquinha. Quando você se espantar com o valor do supermercado, lembre-se que você está na vaquinha. Bom, pelo menos a vaquinha com os amigos era divertida. Que Deus cuide das famílias brasileiras, especialmente das que vão precisar abrir mão de muitas coisas para pagar a famosa vaquinha.

Pastor Bruno A. Krüger Serves / CEL Cristo, Candelária-RS