sexta-feira, 31 de outubro de 2014

2014 - CPT 20 - Reforma Parte 03

CapturarA reforma, mesmo sendo um movimento eminentemente religioso, acabou influenciando todas as outras esferas da sociedade.

O medo de fantasmas

images (1)Uma pesquisa feita na Inglaterra para marcar o Halloween mostrou que os ingleses acreditam mais em fantasmas do que em Deus. Foram ouvidas 2.012 pessoas, 68% disseram que acreditavam na existência de fantasmas, enquanto que 55% declararam acreditar na existência de Deus. Agora, não basta crer que Deus existe. Tiago explica: Você crê em Deus? Que legal! Até os demônios creem e tremem as canelinhas (2.19). A única fé que afasta os "fantasmas" é aquela indicada por Jesus: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo o nele crer não morra, mas tenha a vida eterna" (João 3.16). E porque esta fé livra do medo de almas penadas? Desses espíritos que (dizem) ficam vagando por aí, assustando gente? João, na sua primeira epístola, responde: "No amor não há medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo" (4.18). Este amor está bem explicado num versículo anterior: "E o amor é isto: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e mandou o seu Filho para que, por meio dele, os nossos pecados fossem perdoados" (4.10).

A pior coisa que tem é o medo de fantasmas. O temor de doenças, acidentes, desemprego, da própria morte, contra isto existem formas de lutar e vencer. Mas, como brigar com fantasmas? Como lidar com o inexistente? É nessa hora que aparecem os feiticeiros, os enganadores, os charlatães, que aproveitam a superstição do povo para obter lucro. Sem dúvida, o medo de alguns  faz a riqueza de outros - isto está na Bíblia (1 Timóteo 6.6). Os aproveitadores deste alarme falso seguem a mesma estratégia da brincadeira trick or treat  (doce ou travessura), isto é, se não fizer isto ou aquilo, os "encostos" não irão sair.  Aliás, foi contra isso que Lutero combateu naquele 31 de outubro de 1517, ao escrever na tese 27: "Pregam doutrina mundana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando". Fantasmas ou Deus? Medo ou confiança? Escravidão ou liberdade?

Marcos Schmidt - pastor luterano

Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

1 de novembro de 2014

31 de outubro, dia de...

314196_521566427854709_966312729_n31 de outubro. Data especial? Sim.

Hoje é o “Dia da Dona de Casa”, também chamada de “do lar”. Dia, portanto, de agradecer a Deus por aquelas mulheres que fazem um trabalho megaimportante, mas nem sempre reconhecido. Num tempo em que as mulheres buscam cada vez mais o seu espaço no mercado de trabalho, parece que cuidar da casa (no sentido de “família”) está cada vez mais fora de moda. Para muitos, isso é sinônimo de humilhação, submissão e outros termos usados pejorativamente. Mas poderíamos dizer que se trata de uma vocação digna, essencial e celestial. Lembre hoje com carinho daquelas trabalhadoras do lar que não recebem um salário, não tiram férias e cuidam de tudo para que haja organização, saúde e alegria dentro de casa.

Hoje também é o “Dia da Poupança”. Não estou falando da caderneta de poupança, mas da poupança em si. Poupança é aquela parcela da renda que não é gasta, sendo guardada para uso futuro. Isso inclui uma boa administração do lar, evitando o consumismo e precavendo-se para necessidades futuras. Deus nos deixou de presente a inteligência – e usá-la é sinônimo de boa administração. Claro que, em nossos dias, está cada vez mais difícil economizar. Mas hoje é dia de lembrar com carinho que viver com aquilo que fomos abençoados por Deus é viver de forma sábia, inteligente e precavida.

Para alguns, hoje é “Dia de Halloween” ou “Dia das Bruxas”. Essa “festividade” recuso-me a lembrar com carinho. Sua origem remonta o povo celta, que acreditava que, nesse dia, os espíritos saíam do cemitério para tomar posse dos corpos dos vivos. Mas as bruxas fizeram a fama da data por supostamente se reunirem para uma festa, comandada por ninguém menos que o diabo. Entre “doçuras ou travessuras”, é sempre bom se perguntar se brincar com coisa séria e anticristã é uma boa pedida.

Mas há outra data especial hoje. Há exatos 497 anos, um homem afixava, na porta de uma catedral na Alemanha, 95 teses, que questionavam práticas vigentes da igreja de então. Este homem defendia, na verdade, o que Deus, muito tempo antes, já havia falado:

- Você não precisa pagar nada para Deus nem para a igreja para ser perdoado. O perdão de Deus é de graça, porque Jesus já pagou o preço ao morrer na cruz.

- Você não precisa fazer algo para Deus para mostrar que é “merecedor” do perdão. Para obter o perdão, Deus nos faz crer e confiar em Jesus como o nosso Perdoador e Salvador.

- Você não precisa ir muito longe para conhecer esse Deus. Ele mesmo se revela a você, na língua que você mesmo fala, através da Bíblia, a Palavra e Voz dele, a única fonte e guia para conduzir vida, doutrina e igreja.

Em resumo, o perdão e a salvação são dádivas de Deus, dados de graça, sem mérito ou pagamento nosso. Deus nos concede esses presentes quando cremos [“fé”] que Jesus morreu por nós, derramou seu sangue e ressuscitou, vencendo a morte. É isto que Deus nos revela na Bíblia, e jamais qualquer ser humano (por melhor que seja) estará à altura deste santo livro.

Se você também pensa e crê assim, guarde com carinho o dia de hoje: 31 de outubro, “Dia da Reforma”. Dia em que não enaltecemos seres humanos, bens ou demônios. Mas um dia em que enaltecemos a verdade de Deus: a única verdade que liberta, perdoa e salva.

Ou seja, 31 de outubro é [mais um] dia de Deus.

Julio Jandt

terça-feira, 28 de outubro de 2014

REFLEXÃO: ‘Sola Gratia!’

grace alone 22

Por Elvio Figur

- O que você está lendo?

- Um livro que uma amiga me deu. Aqui estão os capítulos; Disciplina, Amor, Graça... – disse ela folheando as páginas.

- Graça? O que é Graça? – perguntou o homem demonstrando interesse.

- Não sei. – disse ela - Ainda não cheguei lá!

Penso na ultima resposta quando observo o comportamento das pessoas mundo afora. Há tanto ódio, tanta opressão, violência, desmembramento de famílias, casas invadidas por criminosos... Há ausência de Graça entre as pessoas.

- Mas o que é Graça? - E a resposta de um mundo em colapso e sem amor parece ser sempre a mesma; Não sei! Ainda não chegamos lá!

O artista alemão Gregor Schneider criou uma instalação em forma de prisão na praia de Bondi, em Sydney, Austrália. As pessoas que visitam a praia são convidadas a tomar sol dentro das celas. “No Começo nós não vimos uma diferença muito grande, mas depois, quando fechamos a porta da cela, começamos a sentir um pânico, uma sensação de medo e claustrofobia” disse uma turista que passou pela notável experiência.

Sobre o motivo que o levou a fazer as celas, Gregor cita um ataque criminoso àquela praia Australiana. E ele comenta; “Não Dá pra acreditar que tal coisa aconteça num lugar tão bonito...”. (BBC Brasil em 22 de outubro de 2007)

Sou forçado a concordar com este artista. Acho que ele acertou em cheio. “Não dá pra acreditar que tais coisas aconteçam num lugar tão bonito...” em um mundo tão bonito criado por um Deus que quer a felicidade de seus filhos. Não dá pra acreditar que na Praia da Graça de Deus, o que predomina sejam as celas da Lei.

Martinho Lutero se viu preso nas mãos de um Deus que só o deixava cada vez mais desesperado por causa da sua indignidade. Pressionado pelo medo e pelo desespero diante da evidente miséria e morte, o povo era pressionado a pagar altos sacrifícios pelo seu erro sob pena de passar a eternidade no Inferno.

Com o passar dos tempos e pressionado pelas suas próprias culpas a buscar compreender este Deus tão irado, Martinho viu e pôde compreender a graça de Deus pela primeira vez quando a sua ficha caiu ao ler, entre outros, os textos de Romanos 6.14; “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da Graça”; e também Romanos 3.24; “... (somos) justificados gratuitamente, por sua Graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”. Foi como se ele, agora descobrisse, que durante toda a sua vida estivera com os olhos vendados, e preso em uma cela chamada Lei, e que, ao redor dele havia uma imensa e belíssima praia. A praia da Graça de Deus que justifica gratuitamente por meio da redenção que há em Cristo Jesus. É disso que fala o evangelho de João Capítulo 1 versículo 17; “Porque a Lei foi dada por intermédio de Moisés; mas a Graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”.

A Graça é o que Jesus veio trazer. Ela é o maior e melhor presente de Deus ao ser humano. A Graça é o perdão de absolutamente todos os pecados ao pecador que, arrependido se confessa culpado, e apela para a Misericórdia do Pai.

Sola Gratia! (Do Latim - Somente pela Graça!) Esse é um dos Pilares da Reforma Luterana. A verdade de que não estamos mais debaixo da lei, e sim da Graça pela Fé em Cristo Jesus.

Mas, mesmo em nossos dias, 497 anos após a Reforma Luterana, parece que não entendemos ainda e nem vivemos o real sentido da Graça que Cristo veio trazer. Experimente perguntar a qualquer pessoa o que ela pensa quando você usa a expressão; “Cristão Evangélico” ou “Católico”? A resposta que você irá ouvir pode vir nos seguintes termos; - São ativistas barulhentos, a favor da vida... ou; - São fanáticos contrários aos direitos dos homossexuais e das prostitutas... Ou; - São críticos acirrados da Televisão e dos malefícios da Internet... do aborto... etc. Nunca, ou muito raramente você irá ouvir como resposta uma descrição que tenha algum cheiro de Graça... Parece que, ainda hoje não é esse o tipo de aroma que os cristãos distribuem para o mundo, apesar do que Jesus falou; Sejam Sal e Luz no mundo... Ser Sal e Luz é também distribuir Graça, distribuir Perdão... Distribuir Amor...

Sermos agentes que irradiam dessa Graça de Deus em Jesus Cristo para o mundo, essa é nossa tarefa como cristãos.

No dia 31 de outubro lembramos os 497 anos da Reforma Luterana. A redescoberta de que; não estamos mais debaixo da lei, e sim da Graça...” (Rm 6.14), pois “A Graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17) e, por isso “...(somos) justificados gratuitamente, por sua Graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Assim, como cristãos, não andemos mais como cegos encarcerados na praia, pois temos a Graça de Deus, que é seu perdão incondicional em favor de nós. E, como Irmãos, que possamos exalar para o nosso próximo e para o mundo através de nossa vida, o indiscutível aroma do perdão imerecido da Graça de Deus em Cristo Jesus.

Leia em sua Bíblia; Romanos 3.19-28

domingo, 26 de outubro de 2014

Reforma protestante

reforma-protestante-2012Carlos Fernando Huf

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. (João, 14.6) Estas palavras, do próprio Jesus Cristo, formam a síntese da Reforma Luterana. Fora delas não há salvação. Radical? Sim, tão radical quanto cada uma das palavras que o Filho de Deus pronunciou, enquanto esteve entre nós. Daí o lema da Reforma: “O justo viverá por fé”. (Romanos, 1.17) Simples assim.

A Reforma da Igreja Cristã, para a qual Deus usou o monge Martinho Lutero como instrumento, há quase quinhentos anos, não é muito bem compreendida hoje nem por alguns, dos poucos, continuadores que ainda não se desviaram das suas diretrizes básicas. Apesar disso, os muitos desvios que ela vem sofrendo não justificam a idéia de que se esteja precisando de uma “reforma dentro da Reforma”. Pelo simples motivo de que o seu cerne, a síntese dos enunciados bíblicos básicos por ela definidos e organizados em doutrina, continuam puros e inalterados nas igrejas evangélicas autênticas contemporâneas, que incluem as que assumem o nome de luteranas. Basta que, como enfatizou também o próprio Cristo, “quem tiver ouvidos para ouvir, ouça”.

Quando, em 31 de outubro, se comemora mais um ano da Reforma, é ocioso repetir a sua história factual. Preferimos optar por um enfoque que transcende a mera cronologia histórica, e o impacto social, político e cultural que ela provocou no mundo contemporâneo.

Morto, ressuscitado, e elevado ao céu na presença dos discípulos, depois de se deixar ver em várias oportunidades, e diante de várias outras pessoas, para não dar motivo a dúvidas, Jesus incumbiu os antigos e novos discípulos, como o apóstolo Paulo, de divulgar a sua obra de salvação do homem - não para esta vida, mas para a vida eterna.

O resto é conhecido. A força do Evangelho do Cristo crucificado em favor da humanidade foi avassaladora, rompeu fronteiras, chegou ao centro do mundo da época. E nem as mais atrozes perseguições impediram que tomasse conta dos corações. O próprio poder de Roma se curvou - e aí começaram os desvios.

Ao longo dos séculos, a força da fé cristã, pura e primitiva, foi sendo cooptada, desvirtuada, seus ensinamentos alterados, suas bases solapadas e escondidas do povo - o poder da fé manipulado em favor do poder temporal.

Surgiu o papado, levando à fusão, ou confusão, pelos quase dois mil anos seguintes, entre igreja e estado, quando não ao absoluto autoritarismo da igreja sobre os estados laicos, como ocorria justamente na época da Reforma. Aí se manifestava, mais uma vez, aquilo contra o que Cristo alertara, com todas as letras: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

Os acréscimos de doutrinas inventadas por homens, necessários à ganância do poder religioso/temporal, se multiplicaram, e por isso a Bíblia teve que ser escondida do povo. A propósito, é bom lembrar Apocalipse, 22.18: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras das profecias deste livro, testifico: se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”.

E os exemplos do mal que o consórcio igreja/estado causa ao homem são incontáveis. A Inquisição do passado e os homens-bomba do presente são apenas os mais visíveis e chocantes. Mas existem outros, muito mais sutis e destruidores, não apenas de corpos, mas de almas, que se perpetuam e crescem até hoje.

Com a abertura, pela ação de Lutero, da Bíblia ao povo, fez-se necessário produzir uma síntese dela, para evitar aquilo que hoje prolifera no mundo: o uso de frases soltas, fora do contexto, para justificar as mais absurdas interpretações, ao bel-prazer de aproveitadores. O mais sintético desses resumos das verdades bíblicas básicas foi compilado por Lutero em 1529, no Catecismo Menor.

Em 1530, o leigo Felipe Melanchton elaborou outro, mais detalhado, a Confissão de Augsburgo, aprovado pelos reformadores liderados por Lutero. Deste, vale citar a síntese do artigo XXI: “Do culto aos santos os nossos ensinam que devemos lembrar-nos deles, para fortalecer a nossa fé ao vermos como receberam graça e foram ajudados pela fé; (...) Entretanto, não se pode provar pela Escritura que se devem invocar os santos ou procurar auxílio junto a eles, porquanto há um só reconciliador e mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1 Tim, 2), o qual é o único Salvador, o único Sumo Sacerdote, propiciatório e Advogado diante de Deus. (Romanos, 8)

A parte da igreja que resistiu à Reforma continuou na sua antiga e conhecida trajetória, até os dias de hoje. O título de um artigo recente do jornalista Orlando Eller, de Vitória-ES, dispensa comentários: “Tetzel não morreu” (para quem não sabe, Tetzel foi o monge que comandou a venda das indulgências com que o papa Leão X construiu a Basílica de São Pedro).

As indulgências, que “vendiam” um lugar no céu, não só permanecem nos dias de hoje, disfarçadas em diferentes formas, como foram copiadas também pelos falsos herdeiros da Reforma. E em vez de um lugar no céu prometem milagres aqui na terra mesmo. Chegam a marcar hora para Deus comparecer. Alguns até “exigem” de Deus que devolva, multiplicados, os dízimos e os bens entregues ante os altares. Há tempos, um deles, conhecido milionário das comunicações, em verdadeiro transe melodramático, num desses “shows da fé” que infestam a TV, afirmava que “você deve exigir de Deus que lhe dê prosperidade. Deus prometeu, e Ele tem obrigação de lhe dar!”

A todos esses, a promessa de Jesus também é clara, também é radical, quando Ele fala do Juízo Final, a que todos compareceremos: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”. (Mateus, 7.22,23)

Aos seguidores desses estelionatários da fé seria muito útil ver um filme, do gênero comédia mas com uma mensagem dramática, com o ator Steve Martin, e o sugestivo título de “Fé de mais não cheira bem”, mostrando os bastidores desses shows de prestidigitação e lavagem cerebral.

Outra coisa que Jesus sabia, e que o entristecia, é quão poucos o aceitariam de verdade. A história da Humanidade é a história dos desvios do verdadeiro Deus, e a busca incessante por deuses falsos, que prometem benesses nesta vida, ou atalhos como a reencarnação, que comoda-mente evitem a opção céu x inferno, claramente definida no Cristianismo. Isso explica porque os falsos profetas de hoje e de sempre enchem templos, ginásios e campos de futebol, com hordas de seguidores, ávidos de curas e de bens materiais, enquanto as chamadas igrejas tradicionais vivem às moscas. Falsos profetas que ficam milionários, falsos representantes de Deus que se fazem adorar como se fossem o próprio Deus, trilhando todos, juntamente com seus seguidores/vítimas, o caminho da condenação eterna.

Por isso, Jesus prometeu, ao lembrar o Apocalipse: “Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados.” (Mateus, 24.22)

As bases do verdadeiro Cristianismo continuam aí, em toda a sua pureza e radicalidade, à disposição de quem tiver disposição. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça, ou olhos para ver, que veja. Antes que se completem aqueles dias dos quais Cristo diz que serão abreviados.

Cristianismo "Pooleyano"

MAIN-william-pooley3Se você sofre com um mau atendimento em uma loja, voltaria lá?

Se fosse picado por uma cobra, voltaria à floresta?

Se contraísse uma infecção hospitalar, voltaria sem receios ao mesmo hospital?

A lógica humana tem a resposta na ponta da língua: “Não”.

Mas com William Pooley foi diferente.

Pooley é um enfermeiro britânico que resolveu trabalhar como voluntário em Serra Leoa, na África, no combate ao ebola. Lá, contraiu a doença que já matou milhares de pessoas.

Contudo, após ser tratado com a droga experimental ZMapp, Pooley se recuperou. A lógica diria para manter-se longe de Serra Leoa depois desse incidente dramático, não é?

Pooley, no entanto, volta a Serra Leoa. E diz que voltar para lá foi “uma decisão fácil” e que está “muito feliz” em voltar a trabalhar no combate à doença. Sua motivação: “Quero voltar para lá e fazer tudo o que puder para prevenir o máximo de mortes desnecessárias que puder”.

Acredita-se que aqueles que contraíram a doença e ficaram curados desenvolveram os anticorpos que podem protegê-los de contrair a doença novamente. Mas não está claro se eles estão completamente livres desse risco e nem o quanto essa imunidade duraria.

Por isso, o tal Pooley é um cara contra a lógica. É de se admirar e incentivar.

O que Pooley fez é, no fundo, o que cada cristão deveria fazer. Não me refiro a ir à África e ajudar no combate ao ebola, embora isso seja importante. Refiro-me a outro vírus, que corroi por dentro e mata eternamente: o vírus do pecado, com o qual já nascemos, por termos sido gerados por pais que carregavam o mesmo vírus.

Esse vírus precisa ser tratado e vencido. E isso é um trabalho para o Médico dos médicos, Aquele que, na cruz, derramou o antídoto necessário para neutralizar o veneno do pecado. É um remédio que existe em abundância, para todos, sem exceção.

Deus deseja muito estender essa cura. E muitos certamente já a receberam: deixaram-se vacinar pela Palavra de Deus e pelo Santo Batismo. Ao implantar a fé nos corações dos que hoje creem, Deus anulou o poder de morte que o pecado tinha. Tal pecado, entretanto, ainda continua latente nos cristãos, mas já não mata.

Há muitos mais que precisam ser curados. Muitos destes não sentem necessidade de cura, acham que estão bem, mas acabarão morrendo. Para sempre.

Will-Pooley-in-Sierra-Leo-009Nós, que recebemos os anticorpos da fé e perdão em Jesus, o que faremos? Seguiremos a lógica humana e nos afastaremos daqueles que ainda não estão curados? Ou nos aproximaremos para oferecer-lhes a cura?

Certamente – e é bom que se diga – alguns resistirão e rejeitarão. Mas para aqueles que aceitarem – ainda que sejam poucos – esse antídoto terá feito toda a diferença.

É o que conta a história do escritor que, todas as manhãs, caminhava à beira-mar. Certo dia, reparou um menino que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma a uma, jogá-las novamente de volta ao oceano. “Por que está fazendo isso?” perguntou o escritor. “Você não vê?”, explicou o garoto. “A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia”.

O escritor espantou-se: “Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai morrer de qualquer forma”.

O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor: “Para essa aqui eu fiz a diferença…”

Deus nos conceda um cristianismo “pooleyano”.

Mais Acessadas...

 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...