
Em 1928, Carlos Drummond de Andrade publicou um poema que muita gente achou estranho pela insistência: "No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho". Lembro dele sempre que leio a parábola dos lavradores maus, no capítulo 20 de Lucas.
Jesus conta essa história diante dos mestres da Lei e dos chefes dos sacerdotes, que já tinham decidido rejeitá-lo. No final, cita o Salmo 118.22: "A pedra que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante de todas". Para aqueles homens, Jesus era uma pedra no meio do caminho, e por isso queriam tirá-lo de lá.
A imagem é antiga. Pelo profeta Isaías, Deus havia anunciado que poria em Sião uma pedra de tropeço, uma rocha que faria muitos cair; e acrescentou que quem crer nela não ficará desiludido (Is 8.14; Rm 9.33). O mesmo Isaías perguntou, no capítulo 53: "Quem deu crédito à nossa pregação?". O Servo de Deus seria desprezado, alguém de quem os homens escondem o rosto.
A pedra continua no mesmo lugar. Tropeça nela quem diz "eu não preciso disso", quem acha que fé é coisa de criança, quem já deixou de acreditar. Tropeça também quem pensa que todas as religiões levam ao céu, ou que vai conquistar a vida eterna pela própria inteligência ou pelo próprio esforço. O apóstolo Pedro escreveu que tropeçam na palavra aqueles que a desobedecem (1Pe 2.8).
Acontece que a pedra de tropeço e a pedra angular são a mesma. Jesus e sua mensagem de perdão sustentam a igreja inteira, como a pedra que amarra os cantos de uma construção. O que para uns é obstáculo, para outros é alicerce.
Drummond fecha o poema dizendo que nunca vai esquecer aquele acontecimento — que no meio do seu caminho tinha uma pedra. No seu caminho também há uma pedra, e o nome dela é Jesus Cristo. Quem confia nele de todo o coração encontra ali apoio para seguir adiante, com a promessa de Romanos 9.33: quem nela crê não será confundido.
Por Elvio Figur
🗞️Jornal Impacto Edição nº 888 - Itararé/SP, 25 de Setembro de 2026 - https://tinyurl.com/jornalimpacto888